A Associação Brasileira das Empresas de Infraestrutura de Hospedagem na Internet (AbraHosting) está prevendo uma alta acentuada nos preços dos serviços de conexão à internet em função da nova política de preços global anunciada pela nova empresa controladora do software de gestão cPanel. Como ação preventiva, a entidade está incentivando seus associados a estudarem a situação para comunicar com antecedência à base de clientes e para adotarem medidas técnicas para mitigar os efeitos da majoração.

Conforme recente correspondência encaminhada pela cPanel a todos os seus usuários, a forma de cobrança de licenças do painel de gerenciamento passará por forte alteração a partir do próximo dia 1º de setembro. Isto poderá acarretar altas médias de 60%, mas passando de 500%  em casos de servidores com mais de 500 sites. 

“Desde seu lançamento há 20 anos, a cPanel vinha cobrando uma taxa fixa de licença por servidor, sem levar em conta o número de sites nele instalados. Com a nova forma de cobrança, escalonada por número de sites (e não mais fixa), o valor da licença para um servidor com 5 sites poderá subir cerca de 25% em relação ao patamar hoje praticado. Já a licença cPanel para um servidor com 100 sites poderá subir cerca de 200%. E esse valor pode ser ainda maior em servidores acima de 100 sites”, afirma Luís Carlos dos Anjos, presidente da AbraHosting.

Insatisfação

Em contato com a associação, prossegue Dos Anjos, diversos provedores manifestaram insatisfação com a forma brusca como a cPanel está agindo nessa elevação de preços e sem um maior prazo para preparação. A avaliação destes associados é a que atitude ‘pouco parceira’ da fabricante irá levar muitos clientes atuais a procurarem um caminho de migração de soluções  alternativas.

Na avaliação de Roberto Bertó, diretor financeiro da entidade, no novo cenário comercial da cPanel, o provedor é obrigado a repassar os novos custos, pois senão os novos preços tornarão os contratos dos clientes inviáveis financeiramente. “Como os formatos de serviços e a composição de pacotes varia muito em cada provedor, nós da AbraHosting não temos como estimar as dimensões da alta, mas é certeza de que a correção da cPanel afetará centenas de provedores e milhares de clientes que utilizam a solução e que também prestam serviço de hospedagem”, assinala Bertó.

Para entender o problema

Lançado há 20 anos, o cPanel é uma ferramenta Linux mantida desde a origem por empreendedores independentes que rapidamente se impôs como uma interface padrão de fato para o gerenciamento de serviços hospedados. Seu único similar com expressão de mercado é o gerenciador Plesk, sendo que a soma de ambos supera os 95% de Market share na categoria de pequenos e médios provedores.

Ocorre que, depois de absorver o controle acionário da Plesk, há cerca de dois anos, a empresa de investimentos Oakley Capital adquiriu também a cPanel no início do atual exercício, enquadrando os dois produtos nessa nova abordagem de preços, com escalonamento por número de sites.

Segundo Luís Carlos dos Anjos, essa consolidação radical encontra um mercado de hosting dramaticamente desprotegido, tanto no Brasil quanto no mundo. “Em uma centena de países os provedores de hospedagem ainda estão a estudar como vencer esta situação com o menor impacto possível para os clientes, mas as consequências sem dúvidas serão sentidas por todos”, completa o executivo. Ele assinala que há várias opções de produtos alternativos disponíveis do mercado, mas nenhuma com a maturidade requerida para a utilização em escala.

Entre as recomendações da AbraHosting,  Dos Anjos destaca a necessidade dos clientes finais de varrerem os seus contratos, visando eliminar contas e serviços improdutivos, como domínios sem uso ou websites redundantes. “O que até recentemente não doía no orçamento dos clientes, agora passará a ser notado de forma nítida nas faturas”, alerta o diretor.

A AbraHosting vem acompanhando as discussões no plano internacional envolvendo o caso cPanel e suas implicações jurídicas e administrativas para os negócios do setor. Tal como nos demais países, a entidade e seus associados ainda estão em fase de avaliação de impactos em diferentes situações do negócio.(Com assessoria de Imprensa)