O sistema de registro Blockchain chegou para revolucionar a forma como as empresas contratam serviços, negociam empréstimos, ativos e até operam moedas virtuais. Grandes operadoras de telecomunicações, como a Vivo, começam a investir nessa nova tecnologia para resolver processos internos. Mas essa ferramenta pode ser usada por pequenas prestadoras?

Henrique Leite, um dos fundadores da startup GOBlockchain, diz que sim. Segundo ele, na administração do seu negócio, o pequeno empresário acaba tendo os mesmos custos que empresas grandes, enquanto que, como o uso do blockchain, os custos podem cair, já que o sistema elimina a intermediação.

Além disso, diz Leite, gera confiança entre os associados, sem falar nos ganhos de eficiência. Ele disse que sua startup está à disposição de pequenos provedores para apresentar a tecnologia em eventos ou mesmo elaborar um protótipo customizado para uso do blockchain.

A GOBlockchain é uma startup brasileira de tecnologia que nasceu em 2017 com objetivo de impactar positivamente o ecossistema de Blockchain, atendendo uma nova demanda. Sua gestão é realizada de acordo com a filosofia de colaboração, consenso e transparência.

A organização conta com três frentes de negócios. A primeira delas é a GOSolutions, voltada para serviços de consultoria e cursos incompany. Já a segunda é a GOLabs, cujo foco é a criação de produtos, e a terceira é a GOEducation, cuja missão é formar e capacitar profissionais em Blockchain por meio de cursos, workshops, meetups, entre outras atividades.

Leite aponta quatro motivos para uso da tecnologia:

1 – Mais oportunidades para empreender

O Blockchain é um livro que registra transações, sendo que todos podem ver e ninguém pode alterar. Embora seja algo simples, é inovador porque suas transações são continuamente verificadas e armazenadas na rede, que por sua vez são conectadas aos blocos anteriores, criando uma cadeia. Cada bloco deve se referir ao bloco anterior para ser válido.

Esta estrutura permanentemente evita que alguém altere o livro contábil básico. Para roubar qualquer valor, seria necessário alterar a metade de toda a cadeia mais um, e assim mudar o consenso da rede. A partir daqui, é possível compreender como é possível reinventar muitos modelos de negócios utilizando a tecnologia Blockchain.

Um exemplo de empreendedorismo nesse setor é a Digital Asset, que está em Nova York nos Estados Unidos. Em recente entrevista à revista Bloomberg Market a CEO da empresa, Blythe Masters, diz que a empresa está projetando um software que permitirá aos bancos, investidores e demais participantes do mercado a utilizar blockchain para mudar a maneira de negociar empréstimos, títulos e outros ativos.

2 – Entrar em um mercado onde não existe mão de obra suficiente

Muitas grandes empresas já estão usando o Blockchain para conceber e desenvolver produtos e serviços. Ainda que haja desconfiança frente à tanta inovação, empresas como Microsoft e bolsas de valores já estão investindo.

Um exemplo é a BMW, que está utilizando Blockchain a fim de garantir que as baterias para seus carros elétricos contenham apenas o Cobalto obtido livre de mão de obra infantil, o chamado “Cobalto limpo”. Cerca de 65% do mineral existente no mundo é fornecido pela República Democrática do Congo, onde sabe-se que 25% da extração ocorre em minerações artesanais não regulamentadas. Daí a preocupação da montadora.

No Brasil, as empresas estudam formas de se beneficiar do Blockchain, mas ainda esbarram na falta de profissionais qualificados para pensar soluções com a tecnologia.

3- Estímulo à economia colaborativa

Este é o tipo de economia em que bens e serviços são obtidos de forma compartilhada. Por exemplo, em vez de comprar um objeto que será usado apenas uma vez, você opta por alugá-lo em um aplicativo de celular. Muitas iniciativas de compartilhamento não se baseiam apenas no empréstimo ou no aluguel, mas também na troca.

A partir daí, imagine como o Blockchain pode ser uma poderosa ferramenta para garantir confiabilidade nessas transações, por meio de contratos inteligentes, executando ações desde as condições sejam atendidas.

4 – Possibilidade de disruptura com práticas já existentes

Graças aos contratos inteligentes, a necessidade de moderação por um terceira-parte pode ser drasticamente reduzida ou eliminada. Ao automatizar o que anteriormente exigia intermediários, muitos serviços podem ser oferecidos por um custo menor. Essa mudança será disruptiva para muitas indústrias, principalmente para aquelas com potencial para o comércio no modelo P2P (peer-to-peer).(Com assessoria de imprensa)