No início de 2020, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações ( CPqD) dará início à implantação em Campinas do projeto-piloto IoT Cidades Inteligentes Laboratório Vivo, cujo contrato de financiamento no valor de R$ 3 milhões, pelo período de 24 meses, acaba de ser assinado pelo BNDES. O piloto foi um dos 15 selecionados pelo banco para fomento de IoT no país e que terá, no total, destinação de R$ 30 milhões e abrangência de 32 municípios em 11 estados.

O projeto do CPqD tem como objetivo implementar soluções de reconhecimento facial, iluminação pública, identificação de veículos e estação metereológica para as áreas de segurança pública, defesa civil e mobilidade urbana. “A ideia é sair com modelos formatados de soluções para que possam ser replicadas em outros municípios”, explicou Maurício Casotti, gerente de desenvolvimento de negócios – Cidades Inteligentes do CPqD, durante a 21a edição do Wireless Mundi, realizado no Centro Municipal de Educação Adamastor, em Guarulhos.

Segundo ele, as soluções para desenvolver e demonstrar novas tecnologias para cidades inteligentes rodam na plataforma de código aberto Dojot, principal iniciativa do CPqD na área de IoT. Voltada para conectar sensores, a plataforma funcionará como um hub, permitindo que as informações permaneçam nas próprias prefeituras. Assim será possível manter a aplicação em funcionamento, independente do fornecedor de hardware. Trata-se de um ponto importante para as prefeituras, pois a solução que identifica o dado ou a face, por exemplo, fica nas mãos dos agentes públicos. Os dados, por sua vez, sofrem o processo de anonimização.

“A ideia é criar muralhas virtuais em torno das cidades para conseguir rastrear dados e identificar as ocorrências. As câmaras burras levam as imagens capturadas para nuvem, e de lá é realizado o reconhecimento facial para a identificação de desaparecidos. A aplicação não encontra-se na borda, mas integra-se à Guarda Municipal”, diz.

No desenvolvimento da plataforma Dojit, o CPqD realizou inúmeras sessões de Design Thinking para entender os reais problemas das cidades. As pesquisas e experimentações de soluções aplicadas à segurança pública foram feitas em parceria com a americana Qualcomm, resultando na placa Snapdragon, que colocada dentro da câmera, identifica a placa do veículo. Com a chinesa Huawei foram desenvolvidas câmeras de baixo custo para estações metereológicas.

A escolha de Campinas para abrigar o projeto-piloto é decorrente do porte e importância econômica da cidade, dentro do conceito “laboratório vivo” para soluções avançadas de segurança pública. Além da Secretaria Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública, por meio da Central Integrada de Monitoramento de Campinas (Cimcamp) e da Informática de Municípios Associadas (IMA), participam do projeto-piloto de inovação, a Qualcomm, Huawei, Icatel, Pluvion, Exact, entre outros.

A 21ª edição do Wireless Mundi foi realizada pela Momento Editorial com o patrocínio do BNDES e da Furukawa e o apoio da Claro, TIM, Prefeitura de Guarulhos e Abrap.