A Freeway, operadora de serviços de telecomunicações que atua desde 2012 no Mato Grosso do Sul, descobriu um caminho livre no segmento que fica entre a área de comercialização das grandes companhias de telecom e a dos pequenos provedores regionais. “Existe um vácuo em uma faixa de mercado intermediária, dos links dedicados às conexões ADSL. As grandes não atendem esse porte de demanda e os pequenos não conseguem ter preço competitivo”, explica Jonathan Martins, sócio da empresa.

Fundada pelo tecnólogo em redes de computação paulista, que foi para o Mato Grosso do Sul acompanhando os pais, em 1992, a Freeway está inaugurando, esta semana, a primeira rede de fibra óptica da famosa cidade de Bonito – visitada por mais de 200 mil turistas em 2016, segundo dados do Observatório do Turismo e Eventos. No ano passado, o governo do estado de MS chegou a anunciar a implantação de um backbone em fibra para a região, mas a infraestrutura não foi feita.

A rede levou três meses para ser construída, começou a funcionar em meados de setembro, e já leva internet de alta velocidade para dezenas de clientes. Todos no segmento corporativo – foco da Freeway desde o início das operações, com a oferta de FTTH em Campo Grande, onde fica a sede. Hoje a empresa chega também a Dourados. O investimento, todo feito com recursos próprios, foi em torno de R$ 500 mil.

As ofertas para o mercado são de links dedicados de até 100 Mbps e de ADSL de 5 e 10 Mbps, para começar. “Também fornecemos links para eventos, congressos, que acontecem diariamente em Bonito, e as pessoas não tinham internet de qualidade”, conta Martins. Com a nova rede, a Freeway espera atingir cerca de 150 clientes, em dois meses. “Não é muito em volume, mas nosso tíquete médio é bastante alto”, diz Martins.

PTT em MS

Outra ação pioneira da Freeway deve se concretizar agora em novembro. Em uma parceria com a prefeitura e a Associação de Provedores de MS (Apims), os primeiros PTTs do estado de MS vão ser instalados na sede da empresa e na prefeitura de Campo Grande. Os pontos já foram vistoriados pelo NIC.br, que em junho se reuniu com os provedores da região exatamente para esclarecer sobre o modelo de compartilhamento de infraestrutura. Martins ressalta que é uma satisfação ter esse primeiro PTT na Freeway: “Está tudo certo, apenas aguardamos a documentação chegar”.

Em tempos de expansão e crescimento, daqui para a frente a Freeway só tem uma preocupação. “O Brasil é o país onde a internet tem custo entre as mais caras do mundo. É preciso que o governo pense em políticas públicas capazes de viabilizar a expansão das infraestruturas. São poucos os que têm condições, como nós tivemos, de fazer investimentos com recursos próprios. As bandas são caras e poucas, por conta dos impostos”, alerta Martins, acrescentando, a esse cenário, o fato de que o Mato Grosso do Sul tem uma das mais altas alíquotas de ICMS do país, 29%.

“Quando você sai do Simples, não aguenta a carga tributária”, diz ele. De acordo com Martins, é preciso que se criem linhas de crédito para quem quer inovar, expandir serviços de alta velocidade. “Se houvesse essa visão, o Brasil estaria em outro patamar de tecnologia”, avalia.