Do Tele.Síntese

O Google inaugurou dia 19, em São Paulo, vários data centers para atender Brasil, Chile e Argentina. A rede foi montada no estado, com o intuito de reduzir a latência dos serviços da empresa América do Sul. A empresa diz que a melhora dos tempos de resposta variam de 80% a 95%, se comparada com os dos serviços via Estados Unidos. A região se chama southamerica-east1.

O lançamento acontece já com clientes. Dotz, Contabilizei, Movida, SulAmérica, Sascar, Jusbrasil, Uol Diveo, Easy Taxi e Movile estão entre as empresas que aderiram à estrutura local do Google Cloud. Entre os serviços vendidos por São Paulo estão os de capacidade de processamento computacional, de big data, de armazenamento, e de redes virtuais (tabela abaixo, em inglês).

Com a inauguração da região de São Paulo, a Google Cloud Platform integra 12 regiões, 36 zonas, mais de 100 pontos de presença e uma rede global com 100.000 quilômetros de cabos de fibra óptica.

Moeda local

A grande novidade da chegada da nuvem do Google ao país reside na facilidade de pagamento. Os desenvolvedores locais podem pagar em reais, e não mais contratar os serviços em dólar. É a primeira vez que o Google oferece uma opção de pagamento em moeda local nos mercados em que vende seus produtos de Google Cloud Platform (GCP).

“Ao oferecer a possibilidade de pagamentos reais, nós reduzimos a necessidade dos clientes de ter uma infraestrutura para cuidar dos pagamentos e dos impostos, reduzindo a burocracia, e permitindo que as empresas foquem naquilo que importa: continuar inovando e crescendo”, diz Fabio Andreotti, diretor de GCP do Google Brasil.

Os clientes brasileiros precisarão atualizar suas contas, informando o método de pagamento, que pode ser por cartão de crédito ou boleto.

Brasil mais preparado

Segundo Fernando Teixeira, diretor de tecnologia para a América Latina da Google Cloud, o Brasil foi escolhido por diversos motivos. Entre os quais, a chegada de novos cabos submarinos, que aumentaram a capacidade de tráfego do país com o resto do mundo, a demanda do mercado e a proximidade com outros países que poderiam ser atendidos.

“Fizemos testes para garantir impacto positivo na América do Sul inteira. Tenho redução significativa em toda a região. Na Argentina temos uma redução de um quinto na latência. O mesmo no Chile”, diz o executivo.

O Google não revela o tamanho do investimento, onde estão os data centers que compõem a plataforma de nuvem local, nem suas características técnicas. “O que podemos dizer é que o Google Cloud investe, tem Capex, de US$ 30 bilhões ao ano. E que não importa o tamanho da demanda, conseguiremos atender a qualquer empresa já no dia seguinte”, diz o engenheiro.

Esta agilidade tem relação com a estratégia de expansão adotada. A Google Cloud é levada a países que tenham capacidade de produção dos equipamentos usados. 100% do hardware dos data centers são criados pelo Google, mas produzidos localmente. Também as soluções de energia das unidades são todas desenvolvidas pela companhia.

“Temos um crescimento orgânico muito forte. A cada três segundos acrescentamos um core ao nosso grid”, afirma Teixeira. Segundo ele, a montagem da região brasileira vem acontecendo há seis meses. “A curva de adoção da nuvem no Brasil está extremamente acelerada, todo executivo hoje fala em nuvem, que virou uma vantagem competitiva. Essa mudança no modelo mental foi percebido e influenciou a decisão de lançarmos a região aqui”, conclui.