Versatilidade e visão empreendedora são marcas da trajetória da Master Tecnologia, que atua no Norte do estado de Mato Grosso. A história da empresa começa em 1997, em São José do Rio Claro, onde Eder Celloni, com diploma de técnico em informática, abriu uma loja de produtos de computação. Na época, ele pensava em fazer uma faculdade. Porém, um dia foi convidado a ministrar uma palestra e ouviu, de uma pessoa da plateia, que os seus conhecimentos eram mais profundos do que os que essa pessoa havia obtido na faculdade. Um tanto decepcionado, Celloni resolveu alçar voo solo, em busca da própria formação, fazendo cursos de especialização.

Hoje ele é o sócio majoritário de um provedor de serviços de telecomunicações multimídia, licenciado pela Anatel há onze anos, e que em breve mudará sua sede para Nova Mutum – uma das dez cidades atendidas pela empresa com internet de alta velocidade. São 7 mil clientes corporativos, residenciais e rurais. De 2016 para 2017, o negócio teve um crescimento de 40%, índice acima dos melhores desempenhos dos ISPs brasileiros, que passaram o último ano sem saber o que significa a palavra crise [link].

Atuando originalmente com conexões de rádio, a Master começou a construir redes de fibra óptica há dois anos e meio. Tem, atualmente, um backbone de 170 quilômetros de fibra em Nova Mutum, o que representa cobertura total da cidade – é uma das primeiras, na região, a iluminar uma cidade inteira. A rede, robusta, tem taxa de penetração de 50% e capacidade de expansão para 100%.

Em dezembro, fica pronta uma rede de 55 quilômetros em Tapurah, que também abrange a cidade toda, e deve conquistar cerca de mil novos clientes. “Vamos fazer um teste, colocando fibra em Tapurah, que é uma localidade pequena, cerca de 12 mil habitantes. Com essa experiência, queremos ir para outras cidades de igual porte. E já temos projetos prontos para isso”, conta Celloni, que se diz preparado para enfrentar as demandas decorrentes da expansão. “Tivemos de construir uma rede de 90 quilômetros entre as cidades de Lucas do Rio Verde, para chegar a Tapurah”, afirma.

 

Parcerias ousadas

Um dos diferenciais da Master é sua abertura para modelos ousados de parceria – ofertando, por exemplo, capacidade ociosa da rede para comercialização de outros provedores locais sem limitações geográficas. Em Nova Mutum, quatro provedores locais já adquiriram um par de fibras cada. “Parceria é a palavra que todo provedor deveria ter e mente. Porque isso reduz custos. A disputa de clientes não é impedimento para fazer parcerias. A concorrência vai acontecer naturalmente. O que nós precisamos é juntar forças e nos preparar para enfrentar a concorrência das grandes operadoras”, avalia Celloni.

O empresário conta que desenvolveu essa compreensão sobre as parcerias quando iniciou a rede de fibra em Nova Mutum e percebeu que a concorrência ficou bastante incomodada. “Tivemos diversos episódios de vandalismo no POP, até constrangimento policial das equipes de campo, que trabalhavam com autorização. Aí eu tive a ideia de visitar cada concorrente e conversar. Fiz uma ação de aproximação, ofereci links, abri possibilidades de parcerias”, lembra Celloni. Desde então, o cenário mudou. Hoje, relata ele, existe uma disposição de atuar como um segmento, com união: “Acontece de ter um cabo meu rompido e um provedor concorrente me manda uma mensagem, avisando. Existe disposição de ajudar, de socorrer uns aos outros”.

Além da política de parcerias, que vem sendo replicada pela Master com sucesso – em Tapurah, já há negociações para parcerias no mesmo formato –, a empresa está consolidando uma vocação empreendedora. Na época da crise, a decisão foi não frear: “Ao contrário, a ordem foi acelerar. E foi um excelente remédio, pois chegamos com uma novidade na cidade e o produto foi bem aceito”, explica Celloni. E a Master confirma, para 2018, essa posição agressiva. “Queremos nos tornar o maior provedor da região, oferecendo internet da melhor qualidade”, diz o especialista não só em redes de TI, mas em criar um negócio de sucesso.