A Microsoft vai usar a Inteligência Artificial na luta contra doenças transmitidas por mosquitos. Para isso, acaba de anunciar apoio, por meio de tecnologia, ao World Mosquito Program, iniciativa voltada ao combate à dengue. O projeto cria mosquitos com células infundidas com Wolbachia – uma bactéria que limita a replicação da dengue e outros vírus no corpo de um mosquito – e os libera no ambiente para acasalar com mosquitos locais. Esse cruzamento espalha a bactéria por toda a população e neutraliza sua capacidade de transmitir doenças.

Agora, o programa – um consórcio de pesquisa sem fins lucrativos com sede no Vietnã – planeja ampliar drasticamente suas ambições e escopo com o apoio do Microsoft AI for Earth, tornando global o impacto do Wolbachia na dengue. Com a ajuda de dados, aprendizado de máquina, inteligência artificial (IA) e o poder computacional da nuvem, esse humilde microorganismo poderá em breve se tornar um super-herói internacional da saúde pública, ajudando a reduzir as estimativas que mostram que cerca de 40% da população mundial – aproximadamente de 3 bilhões de pessoas em 100 países – vivem em comunidades com risco de dengue e outros vírus potencialmente mortais transmitidos por mosquitos, como zika, febre amarela e chikungunya.

Maximizar impacto

A chave do sucesso é determinar os melhores pontos de liberação de mosquitos modificados para maximizar o impacto, diz Ben Green, gerente sênior de entrega de projetos do programa, que tem trabalhado em direção a uma meta de proteger 100 milhões de pessoas em 12 países.

Seus pesquisadores estão reunindo conjuntos de dados detalhados, e em massa, para criar um modelo preditivo de aprendizado que determinará os melhores pontos de liberação em qualquer lugar do mundo.

Lucas Joppa, diretor de meio ambiente da Microsoft, diz que a inteligência artificial pode mudar o jogo para organizações sem fins lucrativos. Nesse caso, o modelo de IA do programa terá o potencial de “turbinar” seu trabalho e seu impacto, liberando seus pesquisadores da tarefa minuciosa e demorada de analisar dados.

“Essas pessoas não serão mais governadas pela velocidade e escala de como fazem suas análises de dados. A IA faz o melhor quando simplesmente desaparece em segundo plano e permite que as pessoas continuem com a tarefa em mãos”, diz Joppa. “Elas podem reunir todos os dados, toda a experiência disponível e expandir suas operações em todo o mundo, em vez de ir de projeto para projeto, e de local para local.”

O parceiro de ciência de dados do Programa, Gramener, está desenvolvendo o aprendizado de máquina para o modelo de IA. Ele acessará os registros de pontos de liberação existentes do Programa, bem como muitos outros conjuntos de dados sobre densidades populacionais humanas, uso da terra, locais industriais, clima e outras variáveis. As imagens de satélite farão parte do mapeamento de grandes áreas urbanas com precisão estratégica.

O objetivo é ter a capacidade de identificar vários pontos de liberação impactantes em blocos de até 100 metros quadrados.  “Queremos direcionar as áreas onde nossa intervenção é mais necessária”, diz Green. “Poderemos liberar mosquitos Wolbachia onde eles terão mais efeito com a análise em escala nacional, em vez de em escala local. Nossa ambição é ser capaz de olhar para um país inteiro e executar o modelo em todas as suas áreas urbanas, deixando-o nos dar uma imagem sem precedentes de onde podemos ter o maior impacto”.(Com assessoria de imprensa)