A Mob Telecom vai receber financiamento da Finep no valor de R$ 5 milhões para a compra de equipamentos. Com isso, ela se torna o primeiro provedor regional a obter crédito do Programa de Apoio à Aquisição Inovadora em Empresas de Telecomunicações que foi estabelecido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A batalha não foi fácil, pois exigiu que a financiadora entendesse alguns obstáculos para as empresas obterem os recursos, como a exigência de garantias e o desembolso único.

“Nós tivemos várias reuniões na Finep para mostrar os problemas na concessão desse financiamento para as operadoras de telecomunicações de menor porte”, comentou Salim Bayde Neto, CEO da empresa. Na questão das garantias, a financiadora concordou em trabalhar com seguro-garantia e já está credenciando várias seguradoras para isso. E também compreendeu que o desembolso único não atende às necessidades dos provedores, que não compram todos os lotes de equipamentos de uma só vez, permitindo que isso fosse parcelado.

Essas não foram as únicas modificações feitas no Programa de Apoio à Aquisição Inovadora em Empresas de Telecomunicações. Sob pressão de provedores e entidades, o MCTIC concordou em incluir a a aquisição de cabos de fibra óptica desenvolvidos no Brasil, além de equipamentos de telecom 100% nacionais.

“Nós sempre procuramos prestigiar a indústria nacional e as empresas que produzem no país”, observou Bayde. Ele tem como fornecedores a Parks e a Padtec além da Furukawa, que também fabrica no mercado interno. “Nós entendemos que a aquisição desses equipamentos ajuda a melhorar tanto a infraestrutura como o desenvolvimento do país”, reforçou.

A comemoração de Bayde com o financiamento também se estende a outro ponto que diz respeito ao mercado de provedores regionais. “Agora, as portas estão abertas para as outras empresas. Esse é uma vitória de todo o mercado”, ressaltou. Mas no caso da Mob e de outras operadoras já estruturadas ainda há o diferencial da existência de governança corporativa e auditorias, o que facilita a concessão de empréstimos.

Backbone

A Mob também tem um projeto em andamento junto ao BNDES para cooperar na massificação da Internet no país. A empresa vai inaugurar 1.200 quilômetros de backbone de fibra óptica que vai ligar Teresina a Petrolina. Como parte do programa, ela vai atender 22 cidades com tecnologia FTTH com o objetivo de até o final do próximo ano chegar a 100 localidades nos estados do Maranhão, Piauí e Teresina. Com uma base de 45 mil usuários, a Mob quer conquistar 200 mil assinantes até o final de 2019.

Em junho, a empresa vai apresentar mais novidades. Ela deverá anunciar um novo backbone de 10 mil quilômetros com capacidade de 1 Tera. Ela já tem estendido sua área de atuação para cidades do Centro-Oeste, como Goiânia e Brasília, e Sudeste, como interior de São Paulo.

De acordo com Bayde, a Mob conta atualmente com 2 mil ativações FTTH por mês e quer atingir 5 mil ativações mensais. “Nossa proposta agora é rentabilizar nossos ativos”, afirmou o executivo.