A considerar o interesse demonstrado por grandes operadoras, provedores de internet, empresas de infraestrutura e fundos de investimento nas informações do data room da Cemig Telecom, cujos ativos foram colocados à venda pela Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig, a disputa no leilão marcado para o dia 25 deste mês, data da entrega dos envelopes, deve ser acirrada. Vivo, TIM, Oi e Claro, além da Algar Telecom, estão entre os cerca de 15 grupos que assinaram acordo de confidencialidade para ter acesso aos dados das redes e contratos com clientes da Cemig Telecom.

O interesse das grandes operadoras é pelo Lote 1, que envolve o filé mignon da empresa: a rede de banda larga nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, e seus clientes corporativos. Além de equipamentos presentes nos POPs da Eletronet em Fortaleza (CE), Salvador (BA), Recife (PE) e Goiânia (GO).

O Lote 1 tem preço mínimo de R$ 335 milhões e a expectativa de analistas que acompanham esse mercado é de que ocorra um ágio significativo no leilão. Pelas regras do leilão, quem participar do Lote 1, é obrigado é dar lance para o Lote 2. Já quem se interessar só pelo Lote 2, não tem que dar lance pelo Lote 1.

Das operadoras tradicionais, a única que se interessou pelo Lote 2, até porque já começou a assentar suas bases no Nordeste recentemente, é a Algar Telecom. Embora sua origem seja o Triângulo Mineiro, analistas informam que a rede da Cemig Telecom, no estado de Minas Gerais, tem muita redundância com a sua. Por isso,  espera-se que dê lance apenas pelo Lote 2.

As grandes operadoras do país, assim como empresas de infraestrutura de torres, caso da America Towers e Phoenix Tower que também foram ao data room, estão de olho no Lote 1. Não devem brigar pela rede no Nordeste.

Assim, em relação ao lote 2, o ágio deve ser bem menor, embora os ativos sejam interessantes  para complementar redes de operadoras e provedores que atuam no Nordeste. O preço mínimo do lote 2 é de R$ 32,47 milhões e envolve os ativos e contratos localizados em Ceará, Bahia, Pernambuco e Goiás. Tem, ainda, sistema de gerência GPON, que fica em Belo Horizonte (MG).

A Cemig Telecom tem 15 mil quilômetros de fibra óptica, entre redes metropolitanas e de longa distância próprias e swapp de fibra com terceiros. Está presente em cem cidades e sete estados. No ano passado, suas receitas atingiram cerca de R$ 168 milhões, 60% com clientes corporativos e 40% no segmento de provedores regionais.

As operadoras, entre as quais se inclui a operadora de cabo submarino Globenet, devem participar em consórcio com empresa de infraestrutura, fornecedor de equipamento ou mesmo investidor.