Os dados da pesquisa TIC Provedores 2017 do CGI.br realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), apontam que a oferta de conexões via fibra óptica está maior junto às empresas provedoras de acesso à Internet no Brasil. Enquanto em 2014 apenas 49% dos provedores disponibilizavam esse tipo de conexão a seus clientes, em 2017 essa proporção atingiu 78% das empresas. No entanto, a tecnologia mais comum de acesso continua sendo a sem fio via frequência livre, que está no portfolio de 85% das empresas.

A pesquisa aponta que o setor de provimento de Internet no Brasil é formado em sua maioria por micro e pequenas empresas – 39% dos provedores possuem até 9 pessoas ocupadas (microempresas), enquanto 49% possuem entre 10 e 49 pessoas ocupadas (pequenas empresas). As empresas provedoras de grande porte (250 pessoas ocupadas ou mais) representam 2% do total de provedores e, no entanto, atendem a mais de 80% do mercado.

Este cenário revela a concentração do mercado em poucas empresas provedoras. A presença significativa das micro e pequenas empresas também se reflete quanto ao regime tributário que adotam: 85% optam pelo Simples Nacional. No que diz respeito à distribuição regional, 38% das empresas provedoras têm sua sede localizada na região Sudeste, 23% na região Sul, 22% na região Nordeste, 11% na região Centro-Oeste e 6% na região Norte.

“As micro e pequenas empresas cumprem um papel de extrema importância para a inclusão digital no Brasil, especialmente no atendimento à população que vive em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos e com baixa atratividade de mercado para os grandes provedores”, disse Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br.

A TIC Provedores também aponta um crescimento entre as empresas que possuem Sistema Autônomo (conjunto de redes com a mesma política de roteamento): passou de 70%, em 2014, para 77% das empresas provedoras em 2017.

Já a participação em algum Ponto de Troca de Tráfego Internet (PTT), ou em Internet Exchange (IX), envolve 42% das empresas provedoras. Os PTTs e IXs são pontos da infraestrutura da rede Internet em que vários sistemas autônomos (AS) se interligam para trocar tráfego. As principais motivações para provedores participarem do PTT (ou IX) é a melhoria na qualidade dos serviços de Internet e a redução do custo de tráfego.

A TIC Provedores também investiga quais os motivos para uma não participação em um PTT ou IX. Para 40% das empresas provedoras, o alto custo para contratar a infraestrutura de transporte é o principal obstáculo. “Os resultados mostram, portanto, que uma grande barreira está no investimento em infraestruturas que facilitem o acesso aos Pontos de Troca de Tráfego ou Internet Exchange”, comentou Barbosa. O IX.br (Brasil Internet Exchange), iniciativa do CGI.br e NIC.br, já está presente em 31 localidades no Brasil e agrega pico de tráfego de quase 6Tb/s.

No que diz respeito às versões de endereço IP (Internet Protocol) utilizadas, a TIC Provedores 2017 revela que 86% das empresas oferecem acesso por meio de IPv4 e 30% o fazem por meio de IPv6. Entre as justificativas para não terem implementado ainda a migração de IPv4 para IPv6, estão a dificuldade em se criar um plano de ativação (39% das empresas) e a falta de pessoal capacitado (38% das empresas). a produção de vídeos didáticos, a publicação de livro sobre o tema, além da realização de eventos.

. “Os resultados mostram, portanto, que uma grande barreira está no investimento em infraestruturas que facilitem o acesso aos Pontos de Troca de Tráfego ou Internet Exchange”, complementa Barbosa. O IX.br (Brasil Internet Exchange), iniciativa do CGI.br e NIC.br, já está presente em 31 localidades no Brasil e agrega pico de tráfego de quase 6Tb/s.

Além de provimento de acesso à Internet, a TIC Provedores 2017 identificou outros serviços oferecidos: 26% das empresas oferecem serviços de e-mail e 24% disponibilizam serviços de hosting ou co-location. Os provedores também afirmaram que a velocidade mínima disponível é de 1 Mb/s. Por sua vez, a velocidade máxima mais oferecida já é superior a 100 Mb/s. As velocidades mais vendidas pelas empresas provedoras são: 2 Mb/s (para 15% das empresas), 5 Mb/s (para 18% das empresas) e 10 Mb/s (para 16% das empresas).

A pesquisa também constatou diferenças regionais entre os serviços contratados. No Norte do Brasil, a velocidade mais vendida é 1 Mb/s reportada por 23% das empresas e na região Centro-Oeste é 2 Mb/s, também em 23% das empresas. No Nordeste e Sul, a velocidade mais vendida é 5 Mb/s, segundo, respectivamente, 21% e 20% das empresas provedoras. Já no Sudeste, a velocidade mais vendida é 10 Mb/s (20% dos provedores).

Indicadores que tratam de questões sobre segurança da informação envolvendo a operação apontam que 79% das empresas adotaram procedimentos de guarda de registros de conexão dos clientes e 24% dos provedores declararam ter recebido algum ofício judicial com pedido de apresentação de dados ou logs de acesso de clientes. Ainda de acordo com a pesquisa, 49% das empresas provedoras afirmaram já terem sido vítimas de roubos da infraestrutura, tais como cabos e antenas.

A pesquisa do CGI.br foi divulgada durante o 12º IX Fórum, evento que integra a VIII Semana de Infraestrutura da Internet no Brasil e promove discussões sobre boas práticas para segurança de redes e troca de tráfego na Internet.

Realizada entre setembro de 2017 e maio de 2018, ela caracteriza as empresas provedoras de Internet em termos de serviços oferecidos, mercado de atuação, adoção e uso de tecnologias e infraestrutura disponível para conexão. Foram entrevistadas 2.177 empresas provedoras.