
O Brasil avançou de forma significativa nos últimos anos quando o assunto é conectividade. Programas públicos, parcerias com operadoras e novos modelos regulatórios ampliaram o acesso à internet em regiões antes completamente desconectadas. Escolas passaram a contar com sinal, comunidades ganharam cobertura e o tema da inclusão digital entrou definitivamente na agenda institucional do país. Ainda assim, uma pergunta começa a surgir com mais força entre gestores públicos, especialistas e operadores do setor: conectar é suficiente?
Durante um painel recente sobre conectividade significativa, o CEO da iuh!, Laerte Magalhães, recorreu a uma metáfora simples para explicar um problema estrutural que o setor ainda enfrenta. “Quando você constrói uma ciclovia, você não garante que as pessoas andem de bicicleta. Mas a existência da ciclovia cria o estímulo para que elas comprem, usem e desenvolvam o hábito de pedalar.” A lógica, aplicada à conectividade, ajuda a reorganizar o debate.
A infraestrutura digital é a ciclovia. Ela não resolve tudo sozinha, mas sem ela, nenhuma outra camada de transformação acontece. A presença da rede é o que viabiliza o uso, o aprendizado e desenvolvimento de habilidades digitais, a apropriação da tecnologia e, com o tempo, o impacto social e econômico que se espera de um país conectado.
O erro de tratar infraestrutura como ponto final
Grande parte das políticas e projetos de inclusão digital ainda mede sucesso pelo número de conexões ativadas, chips distribuídos ou escolas atendidas. Esses indicadores são importantes, mas insuficientes. Eles medem a existência da ciclovia, não o movimento que ela gera. Ao tratar a conectividade como ponto final, corre-se o risco de construir infraestrutura que aparece bem nas estatísticas, mas não se sustenta no uso cotidiano.
A experiência mostra que, quando a conectividade é instável, mal dimensionada ou descontinuada, o estímulo desaparece. A bicicleta até pode existir, mas deixa de ser usada. É por isso que o papel do operador de telecom vai muito além da ativação inicial. Sustentar a infraestrutura, garantir qualidade, disponibilidade e continuidade é o que mantém o ciclo ativo e cria as condições para que outras políticas públicas funcionem.
A ciclovia como política pública de longo prazo
Infraestruturas bem-sucedidas raramente são tratadas como projetos pontuais. Estradas, redes elétricas e sistemas de saneamento só cumprem seu papel quando são pensados como políticas permanentes, com manutenção, governança e planejamento de longo prazo. A conectividade precisa ser encarada da mesma forma.
Nesse contexto, a ENEC cumpre um papel estruturante para o país. Ao estabelecer diretrizes claras, metas de longo prazo e um modelo de governança para a conectividade educacional, a estratégia ajuda a tirar o tema da lógica de projetos isolados e levá-lo para o campo das políticas públicas permanentes. Mais do que apenas conectar escolas, a ENEC cria previsibilidade, coordenação institucional e continuidade, elementos essenciais para que a infraestrutura digital realmente se traduza em uso educacional consistente, desenvolvimento de competências digitais e redução de desigualdades regionais. Para um país com a complexidade territorial do Brasil, iniciativas como essa representam um passo decisivo para transformar conectividade em base estrutural do sistema educacional, e não apenas em estatística de curto prazo.
Quando a ciclovia existe e funciona, ela altera o comportamento ao redor. Pessoas passam a considerar a bicicleta como meio de transporte viável. Novos serviços surgem. A cidade se adapta. No ambiente digital, ocorre algo semelhante. A presença consistente da internet estimula o uso educacional, o desenvolvimento de competências digitais, a inovação local e a integração das comunidades a serviços públicos e privados.
Esse entendimento tem orientado a atuação da iuh!. A empresa nasceu focada em conectividade para educação e inclusão digital, mas evoluiu para uma estrutura institucional preparada para operar infraestrutura em escala nacional, com responsabilidade e visão de continuidade. Não se trata apenas de levar sinal, mas de garantir que ele permaneça disponível e funcional ao longo do tempo.
Infraestrutura que estimula o uso, não apenas o acesso
Um ponto central da metáfora da ciclovia é o estímulo. A infraestrutura não força o uso, mas cria as condições para que ele aconteça. Quando a internet chega de forma consistente a uma escola, por exemplo, professores passam a planejar atividades digitais, alunos desenvolvem novas habilidades e a comunidade começa a enxergar valor prático naquela conexão. O hábito se constrói a partir da confiança de que a infraestrutura estará lá no dia seguinte.
Isso exige operadores preparados para lidar com realidades diversas, desafios logísticos complexos e ambientes regulatórios exigentes. No Brasil, projetos nacionais de conectividade atravessam estados com características completamente distintas, desde grandes centros urbanos até regiões remotas. Operar essa diversidade requer coordenação central, execução regionalizada e padrões claros de governança.
O papel silencioso, mas decisivo, do operador
Em muitos debates sobre inclusão digital, o operador aparece apenas como fornecedor de acesso. Na prática, ele é um dos principais responsáveis pela sustentabilidade do projeto. É quem garante que a ciclovia não se deteriore, que o tráfego flua e que o investimento público ou privado continue fazendo sentido ao longo dos anos.
A iuh! construiu sua atuação a partir dessa premissa. Ao longo de sua trajetória, conectou centenas de municípios e milhares de escolas e alunos, sempre com foco em execução disciplinada e postura institucional. A empresa entende que visibilidade excessiva não substitui credibilidade e que, em projetos sensíveis, a discrição e a confiabilidade são ativos estratégicos.
Conectividade como base para transformação, não promessa de resultado
É importante reconhecer que infraestrutura, por si só, não garante transformação social automática. A ciclovia não cria atletas profissionais, assim como a internet não resolve sozinha problemas estruturais da educação ou da desigualdade. O que ela faz é criar a base sobre a qual políticas, iniciativas e comportamentos podem se desenvolver.
Quando bem planejada e sustentada, a conectividade estimula a demanda por dispositivos, capacitação, conteúdo e serviços digitais. Ela cria o ambiente propício para que outras camadas de valor surjam. Sem ela, qualquer tentativa de transformação digital se torna limitada ou inviável.
Um debate que precisa amadurecer
À medida que o Brasil avança em seus programas de conectividade, o debate também precisa evoluir. Menos foco exclusivo em ativação e mais atenção à sustentabilidade, à qualidade e ao uso efetivo da infraestrutura. Menos celebração do curto prazo e mais compromisso com políticas de longo prazo.
A metáfora da ciclovia ajuda a lembrar que infraestrutura bem feita não é o fim da jornada, mas o começo dela. Construí-la é uma escolha estratégica. Mantê-la funcionando é uma responsabilidade contínua. E é nesse ponto que operadores com visão institucional, como a iuh!, assumem um papel decisivo no futuro digital do país.