Ponto ISP

Como o Sistema OCERGS manteve a telefonia ativa durante a enchente no Rio Grande do Sul

A enchente histórica que atingiu o Rio Grande do Sul interrompeu serviços públicos, deslocou equipes e comprometeu estruturas físicas de empresas e instituições. Em meio a esse cenário, o Sistema OCERGS conseguiu manter 100% da sua operação de comunicação telefônica ativa, mesmo com prédios afetados e colaboradores atuando remotamente.

O resultado foi possível porque a instituição já operava, desde 2021, com um modelo de telefonia IP em nuvem, fornecido pela Vocom. Na prática, isso significa que os ramais e números corporativos não dependem de uma central física instalada na sede da organização, mas funcionam a partir de servidores remotos acessíveis pela internet.

Segundo Leonardo Alvarez Gomes, especialista em TI – Infraestrutura e Cibersegurança do Sistema OCERGS, o episódio funcionou como um teste extremo da estratégia adotada. Mesmo com equipes trabalhando de casa ou em locais improvisados, as chamadas continuaram sendo atendidas normalmente, sem impacto para o público atendido pelas cooperativas.

Migração antecipada reduziu riscos

A decisão de migrar toda a telefonia para a nuvem ocorreu ainda durante a pandemia, quando o Sistema OCERGS precisou mudar de sede. À época, a escolha evitou interrupções no atendimento e eliminou a dependência de equipamentos físicos, como centrais privadas de comutação e links dedicados.

Atualmente, a instituição opera com cerca de 120 ramais ativos e 100 números diretos (DDRs), utilizando um modelo de E1 virtual sobre a plataforma em nuvem. Além da maior flexibilidade operacional, a mudança trouxe uma redução de custos estimada em pelo menos 30%, principalmente com energia elétrica, manutenção e infraestrutura dedicada.

Funcionalidades e gestão da operação

O ambiente em nuvem permite o uso de recursos como grupos de ramais, redirecionamento automático de chamadas, caixa postal integrada ao e-mail e mensagens de voz, todos gerenciados de forma centralizada. Relatórios mensais ajudam a acompanhar volume de ligações, custos e qualidade do serviço, facilitando o controle da operação.

Outro ponto relevante durante a enchente foi a mobilidade. Aplicativos instalados em notebooks e smartphones permitiram que os colaboradores utilizassem seus ramais corporativos fora do escritório, sem necessidade de desvio manual de chamadas ou alterações emergenciais na configuração.

Continuidade como fator estratégico

O caso do Sistema OCERGS reforça um ponto cada vez mais presente no setor de telecomunicações: a continuidade do serviço depende menos da estrutura física e mais da arquitetura de rede adotada. Para ISPs e organizações que atendem serviços críticos, soluções baseadas em nuvem tendem a oferecer maior resiliência diante de eventos extremos, como desastres climáticos.

Para os próximos anos, a instituição avalia integrar a telefonia em nuvem a plataformas de colaboração corporativa, ampliando a centralização da comunicação e reduzindo ainda mais a dependência de sistemas locais. (com assessoria de imprensa)

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