
A adoção global de inteligência artificial seguiu em crescimento ao longo de 2025, mas de forma desigual entre regiões, ampliando a distância entre países com maior maturidade digital e aqueles historicamente menos atendidos por grandes provedores de tecnologia. É o que aponta o relatório Global AI Adoption in 2025 – A Widening Digital Divide, divulgado nesta semana pelo AI Economy Institute, braço de pesquisa da Microsoft.
De acordo com o estudo, a parcela da população global que utiliza ferramentas de IA subiu de 15,1% no primeiro semestre de 2025 para 16,3% no segundo semestre do ano. No entanto, o avanço ocorreu de forma assimétrica. Enquanto países do chamado Norte Global concentraram níveis mais elevados de uso, o Sul Global avançou em ritmo mais lento, ampliando a diferença de acesso. No segundo semestre de 2025, a taxa de uso no Norte Global chegou a 24,7%, contra 14,1% no Sul Global.
O relatório utiliza como métrica principal a proporção da população economicamente ativa que usou ao menos um produto de IA generativa durante o período analisado, com base em dados agregados e anonimizados de telemetria da própria Microsoft, ajustados por indicadores demográficos e de emprego.
Entre os países com maior nível de difusão de IA, os Emirados Árabes Unidos lideram, com 64% da população economicamente ativa utilizando ferramentas de inteligência artificial no segundo semestre de 2025. Singapura, Noruega, Irlanda e França aparecem na sequência. O avanço nesses mercados é associado a políticas públicas coordenadas, investimentos em infraestrutura digital e estratégias nacionais voltadas à adoção de IA.
Ascensão do DeepSeek em novos mercados
Um dos pontos de destaque do relatório é o crescimento acelerado do DeepSeek, plataforma de inteligência artificial baseada em modelos abertos. Segundo a análise, o DeepSeek ganhou participação relevante em mercados onde soluções tradicionais enfrentam barreiras como custo, restrições de acesso ou limitações geopolíticas.
A adoção mais expressiva da ferramenta foi registrada na China, Rússia, Irã, Cuba, Bielorrússia e em diversos países africanos. Nesses mercados, o DeepSeek se beneficiou da ausência de cobrança direta ao usuário, da possibilidade de uso sem exigência de cartões internacionais e do apoio de parcerias locais de infraestrutura, fatores que reduziram o custo de entrada para milhões de novos usuários.
O relatório observa que, em regiões como África Subsaariana e partes da Ásia Central, a plataforma se tornou uma das principais portas de acesso à IA generativa. A estratégia baseada em código aberto e distribuição ampla permitiu alcançar públicos que tradicionalmente ficaram à margem das ondas anteriores de inovação digital.
Acesso, infraestrutura e o papel da conectividade
Para o AI Economy Institute, os dados reforçam que a difusão da inteligência artificial não depende apenas da sofisticação tecnológica dos modelos, mas de fatores estruturais como conectividade, custo de acesso, políticas públicas e capacidade local de infraestrutura. A próxima onda de usuários de IA tende a vir de comunidades que ainda enfrentam desafios básicos de inclusão digital.
O estudo conclui que, embora a adoção global continue crescendo, o desafio para governos, empresas de tecnologia e operadores de infraestrutura será garantir que a expansão da IA ocorra de forma mais equilibrada, evitando o aprofundamento das desigualdades digitais já existentes.
O estudo completo pode ser baixado, em inglês, aqui.