7 tendências que impulsionam as transformações dos data centers


Crédito: DivulgaçãoPor Gustavo López*

Nos últimos dois anos, fomos testemunhas de transformações tecnológicas sem precedentes relacionadas à forma com que trabalhamos, realizamos atividades de entretenimento e nos comunicamos. Como era esperado para 2021, a forte migração para a nuvem, que começou em 2020, continuou transformando as empresas e os data centers, a implementação do 5G se acelerou, bem como a tendência impulsionada pela internet das coisas para transformar quase tudo em “inteligente”. A inteligência artificial deixou de ser experimental e se tornou essencial, e o trabalho remoto passou, para muitos, de uma atitude necessária para uma forma de vida.

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Estas tendências têm se mostrado tão importantes para a forma como as empresas, as comunidades e as famílias se adaptam às mudanças, que continuarão avançando nos próximos meses e até anos. Além disso, duas novas tendências, a adoção acelerada da fibra monomodo para um processamento de dados mais rápido e o gerenciamento automatizado da infraestrutura (AIM), para uma maior interoperabilidade dos sistemas, terão um impacto significativo nos data centers.

Vejamos abaixo como deverá ser a evolução destas tendências nos próximos meses.

A migração para a nuvem

A escalabilidade e o custo impulsionam as empresas para a nuvem. No final de 2021, a HPE informou que os pedidos da sua plataforma na nuvem GreenLake aumentaram em 46% e a AWS obteve um crescimento anual por volta de 40%. Alugar a infraestrutura e escalá-la em questão de dias, em lugar de esperar uma construção de vários anos, é bastante convincente. Tanto a infraestrutura de nuvem pública como a privada terão crescimento. As grandes empresas utilizarão um modelo híbrido, enquanto as menores apenas utilizarão a nuvem pública.

O único inibidor real deste crescimento é a preocupação com a segurança dos dados e as restrições de compliance. Por exemplo, empresas e governos lidam com normas de privacidade que exigem a proteção de prontuário médico ou a manutenção de dados restrita ao ambiente da empresa ou mesmo de um país.

O auge do 5G reconfigura os data centers

Para satisfazer as demandas tanto das empresas como dos consumidores, os provedores de serviços e as empresas privadas continuarão avaliando as formas mais eficientes e rentáveis de oferecer funcionalidades 5G e entregar mais dados com maior rapidez.

A partir de 2022, começamos a ver um aumento na construção do 5G privado, baseado em uma arquitetura de nuvem com rádios locais na nuvem. Esta aplicação intensiva em dados e sensível à latência impulsiona ainda mais o crescimento dos data centers. Esta será uma tendência que poderá permanecer por vários anos à medida em que as empresas obtenham mais acesso ao espectro 5G das operadoras.

 O trabalho a distância se tornou uma forma de vida

O trabalho a distância era uma tendência antes da pandemia, e para muitos trabalhadores e empresas, se tornará a forma padrão de fazer negócios nos próximos anos, proporcionando para muitos uma melhor qualidade de vida, um custo muito menor para fazer negócios, e inclusive um aumento da produtividade.

Sem dúvida esta tendência terá um impacto significativo na necessidade de acesso à internet de alta velocidade domiciliar para apoiar as videoconferências, não só para trabalho, mas também para a aprendizagem e o entretenimento a distância. Uma vez mais, os requisitos de armazenamento e rendimento dos data centers devem aumentar para suportar vídeos de alta qualidade, e também gravações e seu armazenamento.

IoT impulsiona empresas mais inteligentes 

Segundo a consultoria Statista, o número de dispositivos IoT em todo o mundo alcançará mais de 25,4 bilhões em 2030, triplicando os 8,7 bilhões de dispositivos de 2020. No entanto, isto é apenas o início, já que as empresas começam a entender como podem otimizar as operações, como o envio e a logística, mediante a coleta e análise de dados capturados por sensores. Uma vez mais, o impacto nos data centers será enorme, já que todos estes dados têm que ser armazenados e processados em algum lugar, e cada vez mais este lugar é a nuvem.

Pensemos no número de sensores de dados necessários para uma aplicação de acompanhamento de pacotes: qual a origem de um pacote, onde está, para onde se dirige, a hora estimada de chegada, as condições ambientais (incluindo a temperatura, a umidade, a altitude, a pressão etc.), a empresa de entrega, o motorista, o estado e o histórico do veículo. Muitos desses dados são atualizados constantemente, agora multiplique todos estes dados de um pacote por centenas de milhares ou inclusive milhões de pacotes.

E como ocorre com muitas aplicações “inteligentes”, veículos autônomos, edifícios inteligentes, supervisão de serviços de saúde, muitos dos dados são sensíveis ao tempo, o que significa que o processamento deve ocorrer na borda, impulsionando ainda mais o crescimento dos data centers edge. As aplicações de vídeo impulsionadas pela IoT para a supervisão da segurança, a mineração de dados e inclusive o entretenimento estão contribuindo para esta demanda.

Cada vez nos apoiaremos mais na IA e na RA

Nos últimos anos, a maioria das empresas ainda estava descobrindo qual seria sua estratégia de inteligência artificial. Em 2022, a IA tem sido essencial para compreender todos os dados que as empresas estão coletando: a análise de big data não pode ser feita manualmente. Desde o reconhecimento facial até o rastreamento de contatos, passando pela análise da cadeia de fornecimento e a logística, a IA é a chave para a otimização dos processos e para a competitividade empresarial.

A criação de capacidades de inteligência artificial será uma iniciativa importante para a maioria das empresas, com uma tendência a longo prazo rumo a uma maior dependência da realidade aumentada (RA). Ela tem sido utilizada inicialmente para os videogames e para a interação pessoal, mas começará a desempenhar um papel empresarial cada vez mais importante nas aplicações de marketing, vendas, formação e outros serviços.

As redes de 400/800 gigabits impulsionam a adoção da fibra monomodo 

Uma tendência importante para este ano é a aceleração da adoção da fibra monomodo utilizando redes de 400 e 800 Gbps. Isto está acontecendo mais rápido do que o esperado, como resultado de todas as tendências assinaladas anteriormente. Embora a fibra multimodo continue sendo popular, estamos vendo que se implementa mais fibra monomodo, especialmente nos data centers na nuvem e em DCs hyperscale.

Gerenciamento automatizado da infraestrutura é essencial para os dados

O AIM (gerenciamento automatizado da infraestrutura, da sigla em inglês) está se tornando uma solução para a infraestrutura de dados cada vez mais complexa. Ele permite ao departamento de TI gerenciar a conectividade de diversos tipos de fibra, a polaridade e as configurações das portas MPO para a agora popular arquitetura spine-leaf. Permite aos gestores de edifícios inteligentes suportar a convergência IP, fazer o acompanhamento de um grande número de novos dispositivos e supervisionar a distribuição PoE nos sistemas de cabeamento estruturado, para garantir um funcionamento adequado.

E nos campi inteligentes, consolida toda a documentação do cabeamento da planta externa e interna em uma única fonte de verdade, ao mesmo tempo em que realiza um acompanhamento da conectividade individual dos fios de fibra em todo o campus mediante a geolocalização.

À medida que a atividade da rede se desloca para a borda, o AIM também permitirá a supervisão e administração remotas dos data centers edge sem uso de luz, incluindo o uso de óculos de realidade aumentada (RA) ou gêmeos digitais para gerenciar e otimizar um entorno físico. É de se esperar que se torne mais acessível ao longo do próximo ano por meio de soluções baseadas na nuvem e em modelos de serviço por assinatura.

A aceleração da transformação digital provocada pela pandemia continuará ao menos durante os próximos dois anos. Como resultado, esperamos atualizações rápidas e frequentemente contínuas dos data centers, já que as empresas se baseiam nas tendências anteriores e respondem a elas para satisfazer às necessidades de seus clientes, empregados e sócios, que evoluem rapidamente.


*Gustavo López é vice-presidente da área de vendas da CommScope para as regiões da América Latina e Caribe

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