A expectativa do BNDES é de que os projetos de IoT formulados por consórcios, liderados por institutos de C&T, para as verticais de saúde, cidades inteligentes e agropecuária comecem a ser apresentados a partir de meados de agosto, já que o prazo se encerra no final do próximo mês. Como os projetos exigem articulação entre vários atores — indústria de tecnologia, start ups, pelo menos usuário e o instituto de C&T -, é normal, de acordo com Ricardo Rivera, chefe do Departamento para Financiamento das indústrias de TIC do banco, que o tempo de maturação demore uma pouco mais. No entanto, ele relatou que tem sido grande o número de consultas em torno da chamada do BNDES, que tem por objetivo estimular o desenvolvimento do ecossistema da IoT no país.

Responsável pelo financiamento do estudo que deu origem ao Plano Nacional do IoT, cuja criação depende de decreto presidencial já aprovado internamente pela Casa Civil da Presidência da República, o BNDES decidiu dar um segundo passo para fomentar a oferta e a demanda de IoT, ajudar a qualificar os gestores das empresas usuárias que têm pouca intimidade com a IoT e têm uma série de temores em relação ao emprego da tecnologia e criar modelos de negócios que possam ser replicados. Ao participar do debate sobre IoT durante o Encontro Tele.Síntese, que se realiza em Brasília, disse que das quatro verticais que são as prioridades do Plano Nacional do IoT, só da indústria 4.0 ficou para uma segunda fase.

Dos 15 institutos de C&T interessados em participar dos consórcios e que estão se articulando para liderar projetos com empresas de tecnologia e start ups – cada consórcio pode apresentar até três projetos -, há especialistas em determinados segmentos, como a Embrapa, como foco na agropecuária, e o Hospital das Clinicas, na saúde, mas há institutos que jogam nas três verticais.

Além dessa chamada específica para IoT, Rivera relatou que dentro dos instrumentos financeiros de linha do banco há vários deles que podem apoiar projetos de IoT como o cartão BNDES (produtor e comprador), BNDES Finame (produtor e comprador), BNDES Finem Inovação e Investimento e o BNDES Giro. No momento, disse ele, o banco está aperfeiçoando seus mecanismos para dar maior apoio à IoT. Como exemplo, citou que está em desenvolvimento uma linha para compra de solução de IoT de prateleira (hoje tem linha para compra de software, de hardware, de IoT sob encomenda, mas não para IoT de prateleira).

Outras medidas que podem beneficiar que podem beneficiar empresas investidoras em IoT são a redução para operações diretas do Finem de R$ 20 milhões para R$ 10 milhões; um novo produto para empresas da Economia do Conhecimento, com faturamento entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões; e um Fundo Garantidor de Investimento para operações diretas, hoje só disponível para operações indiretas para MPES de até R$ 3 milhões.