O SINET, sindicato patronal voltado aos provedores de internet, quer ampliar sua presença nas negociações trabalhistas do setor e estima alcançar, até o fim do ano, cobertura em 70% a 80% dos estados brasileiros. A meta foi apresentada por Robson Lima, vice-presidente do SINET, e por Diego Xavier, diretor executivo da entidade, em entrevista ao Tele.Síntese / PontoISP durante o Abramulti 2026, evento que aconteceu em Belo Horizonte (MG) na última semana.
Segundo os representantes, a atuação do sindicato está sendo estruturada para atender demandas trabalhistas e sindicais específicas dos ISPs, em um contexto em que muitas empresas ainda mantêm enquadramentos considerados inadequados ou recorrem a entidades que não representam diretamente o segmento.
Na entrevista, os dirigentes afirmaram que o SINET tem atuação em 25 estados e que a proposta é consolidar a representação patronal dos provedores em negociações com sindicatos laborais. Segundo Diego, o trabalho busca dar suporte às empresas em temas ligados à relação trabalhista e sindical, diante de dificuldades relatadas pelo setor na interlocução com sindicatos de trabalhadores.
Foco em convenções coletivas e acordos
De acordo com os entrevistados, a prioridade agora é avançar na negociação de convenções coletivas de trabalho (CCTs) e acordos coletivos de trabalho (ACTs) em diferentes estados. A intenção é construir instrumentos aplicáveis à realidade das empresas.
Diego afirmou que já há convenções coletivas em trâmite em quase todo o país, mas que a nova composição do SINET exige análise jurídica para definir como a entidade fará a ratificação desses instrumentos. A expectativa é que, nas próximas datas-bases, o sindicato já participe das assinaturas em conjunto.
Trabalho terá caráter educativo
Os dirigentes relataram que ainda há resistência de parte dos provedores em relação ao tema sindical, mas atribuíram esse cenário mais à falta de informação do que a uma rejeição deliberada. Segundo Diego, muitos empresários não distinguem com clareza o papel do sindicato patronal, que representa as empresas, do sindicato laboral, que representa os trabalhadores.
Para ele, isso gera insegurança e dificulta a participação dos provedores nas negociações. “As empresas que não participam de uma negociação coletiva estão deixando brecha para que outras decidam por elas”, afirmou.
Segurança jurídica
Na avaliação dos representantes do SINET, o enquadramento sindical inadequado pode expor as empresas a riscos jurídicos, inclusive ações judiciais e questionamentos do Ministério Público. Diego afirmou que o objetivo da entidade é justamente reduzir essa insegurança, com negociação de regras que sejam viáveis para as empresas e, ao mesmo tempo, compatíveis com as exigências trabalhistas.
Robson afirmou que já há conversas em andamento com estados como Minas Gerais e Sergipe, além de negociações em outras unidades das regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Segundo ele, o sindicato já trabalha em 12 a 14 negociações e quer ampliar essa presença ao longo dos próximos meses.