Enterrar cabos é inviável, a saída é reordenar postes, diz TelComp


(Crédito: TV.Síntese)

Crédito: TV.Síntese

Mais de 20 operadoras de telecomunicações gastaram R$ 170 milhões para enterrarem os cabos em 65 km das vias da capital paulista. “Esses gastos correspondem a uma pequena parte dos 600 mil km de vias de São Paulo”, afirma o presidente executivo da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TelComp), Luiz Henrique Barboza.

PUBLICIDADE

O executivo, que participou nesta sexta-feira, 7, de live do Tele.Síntese sobre regulação dos postes, apontou também sérios problemas para realizar a obra, uma vez que muitas redes existentes no subsolo não estão mapeadas. “O modus operandi da obra é muito manual, com pouco maquinário, precisa ser feita à noite e sem muito barulho e isso demora muito”, disse.

Para Barboza, enterrar todos os cabos deve passar de centenas de bilhões de reais, valor muito acima do que o estimado pela Anatel, de R$ 20 bilhões. A saída, na opinião dele, é a reorganização dos postes para manter os custos das redes de banda larga competitivas.

Entidade

A proposta da TelComp para a reorganização dos postes, apresentada na consulta pública para revisão da resolução conjunta nº 4, prevê a criação de uma entidade gestora, aos moldes do Gired e Gaispe, que vai pagar as distribuidoras de energia a custo e, com o restante dos recursos arrecadados, fará a limpeza dos postes.

A entidade contará com zeladores regionais, responsáveis pela fiscalização dos postes, por meio de ferramentas já em desenvolvimento com a participação da TelComp. “Para todo esse trabalho, não haverá dinheiro novo além do que é cobrado das teles”, afirma Barboza.

Embora as elétricas passem a ganhar menos por poste, terá sua base de arrecadação aumentada, já que a previsão é de acabar com o uso à revelia, argumenta Barboza. Ele ressalta que o setor tem experiências bem-sucedidas de criar entidades do modo proposto.

5G

Paralelamente, a TelComp defende a revisão da norma técnica da ABNT para uso dos postes (NBR 15.214) com o objetivo de ampliar a possibilidade do uso pelas empresas de telecomunicações, para além dos 50 centímetros previstos hoje. Segundo Barboza, com o 5G existe uma demanda para colocação de mais equipamentos e tudo isso precisa ser pensado.

Barboza defende a realização de um sandbox para testar opções e ajudar a endereçar essa demanda. Ele não descarta a possibilidade das teles pagar a multiplexação das redes elétricas para melhor acomodação dos cabos de telecomunicações. “A solução é de longo prazo, não é do dia para a noite”, disse.

Previous Justiça proíbe Neoenergia de cortar cabos de ISPs no DF
Next Veja novos finalistas do Anuário Tele.Síntese de Inovação 2022

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *