IoT é a infraestrutura crítica que sustenta a transformação digital


Datora visa parcerias com ISPs para expansão de redes privativas no Brasil
Datora busca ISPs para ampliar serviços de redes privativas, diz Fuchs | Foto: Tele.Síntese

Datora visa parcerias com ISPs para expansão de redes privativas no Brasil

Por Daniel Tibor Fuchs, VP de Inovação da Arqia – A transformação digital se consolidou como prioridade estratégica nas empresas brasileiras, impulsionada por investimentos em inteligência artificial, analytics avançado e automação de processos. No entanto, existe uma camada estrutural que antecede qualquer aplicação analítica, e que raramente ocupa espaço central no debate corporativo: a infraestrutura de conectividade e IoT – Internet das Coisas, em português.

Antes que um modelo de IA seja treinado, antes que dashboards consolidem indicadores em tempo real ou algoritmos automatizem decisões operacionais, é necessário garantir a captura, transmissão, integridade e disponibilidade dos dados. Essa função pertence à arquitetura de IoT, responsável por conectar ativos físicos ao ambiente digital de forma segura e escalável.

Atualmente, as empresas do meio de IoT estão atuando justamente nessa camada estrutural da economia digital, estruturando redes de dispositivos conectados, gerenciando SIM cards em larga escala e garantindo governança e resiliência na transmissão de dados. A relevância desse mercado é global, com projeções de que as conexões IoT no mundo passem de 19,8 bilhões em 2025 para 40,6 bilhões em 2034 (Transforma Insight). No contexto da América Latina, o Brasil se destaca, concentrando cerca de 40% dos investimentos da região. É nesse nível que a transformação digital deixa de ser narrativa e passa a ser infraestrutura.

Projetos de inovação costumam começar pela camada de aplicação, discutindo ganhos de eficiência, redução de custos ou novas fontes de receita. Contudo, a qualidade desses resultados depende diretamente da robustez da conectividade na borda, onde os dados são gerados. Sensores embarcados, dispositivos M2M e trackers logísticos capturam variáveis físicas como temperatura, vibração, geolocalização e consumo. Se essa coleta não for confiável ou se a transmissão apresentar falhas, latência elevada ou inconsistência, toda a cadeia analítica fica comprometida.

Em operações de gestão de frotas, por exemplo, a telemetria contínua permite otimizar rotas, reduzir consumo de combustível e mitigar riscos de acidentes. Na indústria, sensores de vibração e temperatura viabilizam manutenção preditiva e redução de paradas não planejadas, impactando diretamente indicadores como OEE e custo total de propriedade dos ativos. Na logística, a rastreabilidade em tempo real é determinante para controle de cargas sensíveis e redução de perdas. Em utilities, medidores inteligentes ampliam a eficiência operacional e reduzem perdas técnicas.

Em todos esses casos, a IoT funciona como sistema nervoso da operação. É ela que garante capilaridade de dados, consistência histórica e escala suficiente para que modelos analíticos sejam estatisticamente robustos. A inteligência artificial, frequentemente tratada como ponto de partida, é na verdade uma camada dependente dessa base estruturada de dados operacionais.

À medida que empresas passam a administrar dezenas ou centenas de milhares de dispositivos conectados, a complexidade técnica aumenta. Torna-se essencial contar com gestão centralizada de conectividade, segmentação de rede, políticas de segurança, criptografia de tráfego, monitoramento em tempo real e provisionamento remoto. A conectividade deixa de ser commodity e assume papel de infraestrutura crítica, com implicações diretas na continuidade do negócio, na governança de dados e na mitigação de riscos. Um exemplo do reconhecimento dessa importância é a Lei nº 14.108/2020, que impulsionou a ativação de mais de 9 milhões de novas conexões M2M/IoT no Brasil entre 2021 e 2025, provando o momento de forte aceleração do setor

Além dos ganhos operacionais, a IoT também se conecta à agenda ESG. Monitoramento energético, controle de consumo de recursos, otimização de rotas e redução de desperdícios dependem de dados coletados em tempo real. Sustentabilidade corporativa, portanto, não é apenas meta declaratória, mas arquitetura tecnológica.

A discussão sobre inovação precisa, portanto, ser reposicionada. A transformação digital que gera valor não começa na interface, nem no algoritmo. Começa na infraestrutura que garante que os dados existam, circulem com segurança e estejam disponíveis para análise. A IoT pode ser invisível no discurso público, mas é ela que sustenta a maturidade digital das organizações e viabiliza a competitividade em um ambiente cada vez mais orientado por dados.

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