Leilão de 700 MHz pode viabilizar centenas de operações regionais no móvel, avalia CEO da Tá Telecom


Rudinei Gerhart | CEO da Tá Telecom
Rudinei Gerhart | CEO da Tá Telecom
Rudinei Gerhart | CEO da Tá Telecom
Rudinei Gerhart | CEO da Tá Telecom

O leilão da faixa de 700 MHz não deve resultar na criação de um quarto competidor nacional no Serviço Móvel Pessoal (SMP), mas pode abrir espaço para a multiplicação de operações regionais. Essa é a avaliação de Rudinei Gerhart, CEO da Tá Telecom, em artigo publicado pelo portal Tele.Síntese.

Segundo o executivo, o contexto atual do mercado móvel brasileiro é de maturidade. Em 2025, o país encerrou o ano com 216,4 milhões de acessos móveis (exceto IoT), crescimento líquido de apenas 0,2%, conforme dados consolidados da Anatel. A teledensidade chegou a 101,8 acessos por 100 habitantes, indicando limite para expansão orgânica da base.

Para Rudinei, mais importante que o número agregado é a movimentação da base. Ele observa migração gradual de clientes para operações regionais e operadoras móveis virtuais (MVNOs). “Em mercados estagnados, a estratégia do deslocamento é mais importante que expansão”, afirma no artigo.

Combinação técnica altera viabilidade econômica

O executivo argumenta que o potencial transformador do novo leilão está na combinação entre a faixa de 700 MHz e o espectro de 3,5 GHz. A primeira é voltada à cobertura, com maior alcance por estação rádio-base. A segunda é associada à capacidade, essencial para entrega de serviços 5G com maior velocidade e desempenho.

Isoladamente, afirma, o 3,5 GHz exige alto adensamento de torres para garantir cobertura ampla, o que eleva o investimento (CAPEX) e dificulta a viabilidade de uma operação móvel consistente em regiões extensas. Já o 700 MHz reduz o custo por área coberta.

A combinação das duas frequências, portanto, tornaria “economicamente possível uma operação regional robusta”, nas palavras do autor.

Modelo descentralizado

Rudinei avalia que, caso operadores regionais conquistem lotes do 700 MHz, o modelo mais racional não seria a verticalização completa da operação. A tendência, segundo ele, seria estruturar um núcleo de rede (core) centralizado, cumprir as obrigações de cobertura previstas no edital e abrir espaço para exploração regional por terceiros, especialmente MVNOs.

Nesse arranjo, o detentor da frequência organizaria a espinha dorsal da operação e permitiria que provedores regionais atuassem comercialmente sob essa estrutura, com marca própria e integração entre serviços fixos e móveis. Parte desses provedores poderia investir em rede de acesso complementar (RAN).

“Não se trata de criar um novo player nacional. Trata-se de habilitar centenas de operações regionais sob uma mesma espinha dorsal espectral”, sustenta.

Papel das incumbentes

O executivo também aponta que o desfecho dependerá da estratégia das operadoras incumbentes, que detêm escala e infraestrutura já amortizada. Caso optem por fortalecer modelos estruturados de MVNO integrados ao ecossistema regional, poderiam organizar a descentralização dentro de suas próprias redes, reduzindo incentivos à construção de infraestrutura paralela.

Na visão de Rudinei, a descentralização pode ocorrer por dois caminhos: coordenada por novos detentores do 700 MHz combinados ao 3,5 GHz, ou organizada pelas incumbentes por meio de MVNOs robustas.

O movimento, segundo ele, tende a ser progressivo e não abrupto. Em um mercado móvel maduro e com crescimento limitado, a redistribuição gradual de base pode redefinir a dinâmica competitiva.

“A trajetória não está determinada. Ela dependerá das decisões estratégicas tomadas no período imediatamente posterior ao leilão”, conclui.

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