O que esperam os investidores? Esta era a pergunta a ser respondida pelos executivos de fundos de investimentos que participaram do painel sobre o tema no Encontro Provedores Regionais que aconteceu em Santos, no dia 8, promovido pela Bit Social. Gilbert Minionis, CEO da Triple Play Telecom, do Acon Investments, fundo norte-americano de private equity, que tem nove operações no Brasil, foi direto ao ponto: “O conselho que eu posso dar? É preciso ter uma empresa limpa, com profissionais sérios, com boa posição no mercado e que presta bom serviço.”

Ele deixou claro que nenhum fundo põe dinheiro em provedor regional que usa caixa dois, que lança mão de vários CNPJs para pagar menos impostos. E falou que entre investir na empresa A, que tem uma base maior de clientes, e na B, que tem menos clientes mas tem uma contabilidade mais transparente e uma rede física de melhor qualidade, a segunda tem mais chance de ser comprada. “Quem vai querer caixas paraguaias que dão problema?”, peguntou.

Questões estruturais

Para Eduardo Silveira, Corporate Finance da Globenet do grupo BTG Pactual, o que mais assusta dos investidores em relação ao mercado dos provedores é a informalidade, que se traduz em trocas de serviços não contabilizadas, subnotificação de dados junto à Anatel, subnotificação de dados junto ao fisco, e por aí vai.

Silveira aponta ainda duase questões estruturais que ajudam a complicar o cenário e que estão relacionadas ao universo regulatório. As indefinições relativas à classificação do Serviço de Comunicação Multimídia e Serviço de Valor Adicionado, que provoca uma disputa entre fiscos sobre aplicação de tributos, e a questão do direito de passagem, relativa principalmente ao uso dos postes.