Eles aprenderam a pescar. E já estão levando seu barquinho para terras além-mar. Droander Martins e Pablo Constantino têm dez anos de diferença em idade. Mas ambos, em suas épocas de adolescentes, participaram do projeto social Pescar, iniciativa da empresa Parks para formação de jovens em eletricidade e informática. Ao sair do projeto, Martins fez carreira executiva na área de telecom, passando por grandes empresas, como a HP. Constantino – que Droander carinhosamente chama de “pequeno gênio” – saiu do projeto social em que Martins era seu mentor, passou em duas faculdades, fez curso de inglês e foi contratado pela Parks.

Em 2014, Martins fundou a IPV7 e “roubou” Constantino da Parks para trabalhar com ele. Três anos depois, os dois tornaram-se sócios na consultoria – que se apresenta como “empresa de inovação orientada a negócios, fusão e aquisição de provedores, apoio e consultoria a ISPs”. “Também ajudamos os provedores a buscar recursos para seus planos de modernização e expansão”, acrescenta Martins.

A inovação não é apenas uma marca retórica. Na IPV7, 10% do faturamento são investidos em pesquisa e desenvolvimento. E a grande prova de que o assunto é levado a sério nas estratégias corporativas é o certificado ISO 9001:2015, concedido à primeira consultoria e integradora do segmento de TIC da América Latina. Martins conta que essa conquista foi literalmente construída dentro da empresa.

“Não havia nenhuma certificação desse tipo para nos balizarmos. Precisamos desenvolver tudo, a organização dos fluxos, as metodologias de trabalho, e fomos afinando o processo, até que a última auditoria concluiu por 100% de conformidade. Com essa certificação, pudemos desenhar nosso plano de expansão internacional porque, em qualquer lugar do mundo, vão saber que a nossa empresa é o que diz que é, entrega o que diz que entrega”, comemora Martins.

O primeiro ponto do mapa na mira da IPV7 para implantar uma filial é Miami, nos Estados Unidos. É nessa cidade que técnicos da consultoria estão fazendo uma formação, bancada pelo governo brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil). Mas a China também está na lista dos rumos possíveis.

A expertise na elaboração dos procedimentos necessários à ISO 9001 está se transformando em mais uma frente de atuação. A IPV7 vai oferecer ao mercado de ISPs o serviço de consultoria para obtenção da certificação. Projetos-pilotos já rodam em provedores amigos, que toparam replicar o modelo usado pela IPV7 e contribuir para as eventuais adaptações de modo que o serviço esteja pronto para ser comercializado.

Martins explica que a ISO 9001:2015 confere à empresa um alto valor agregado. “Hoje, apenas cinco operadoras de telecom têm ISO e geralmente não é da operação inteira, apenas de alguns segmentos da empresa. Trata-se de um incentivo aos vários investidores estrangeiros de olho no mercado de ISPs brasileiro, que só se supera em bons resultados”. Para Martins, não é verdade que os provedores não têm qualidade, são empresas carentes de gestão: “Há muitas empresas sólidas, só falta alguém mostrar isso”.

Com a proa voltada para o futuro, a IPV7 valoriza o conhecimento e os valores adquiridos no passado. Se prepara para fundar uma incubadora e aceleradora de startups na área de TI. O projeto está caminhando e deve ser implantado ainda este ano. “Nós, os donos, viemos de projetos sociais. E queremos dar esse retorno para a sociedade”, relata Martins, esclarecendo que o objetivo da organização, que se chamará GYZ, será formar e apoiar a Geração YZ.