Por Elizangeles Lopes

A infraestrutura de torres deve ser pensada e fabricada dentro de um amplo espectro de fatores. Por exemplo, faz parte da concepção de uma boa torre o estudo de solo, o cálculo de carga a ser colocada na torre, as coordenadas geográficas para verificação da incidência de ventos na região. Essas informações são fundamentais para se obter um produto de qualidade, que tenha durabilidade e ofereça segurança.
Por isso, na hora de comprar torres, é importante observar alguns aspectos:

1 – Certificar-se sobre a idoneidade do fabricante e checar se a empresa trabalha dentro das normas do setor, estabelecidas pela ABNT.

2 – Verificar se a empresa fornecedora presta consultoria na compra, na montagem e na conservação do produto. Perguntar o tempo da manutenção e verificar se existe serviço pós-venda.

3 – Procurar uma empresa que atenda de forma personalizada, pois cada cliente tem necessidades especificas. Em casos da empresa dispor de apenas um modelo, atenção ao famoso “vamos dar um jeito e adaptar para o seu caso”, pois seja qual for a demanda, é necessário o projeto se ater às normas da ABNT. Lembre-se de que um acidente com uma torre pode ser o fim da linha para o ISP, sem contar o risco de vidas perdidas, que não têm preço.

4 – Conferir a qualidade do produto. É importante fazer a pergunta: “Este produto que estou comprando dirá até quando? Terá que ser substituído quando?”
5 – Perguntar qual é a matéria prima utilizada na fabricação: que tipo de aço, se é galvanizado a fogo, a frio ou se a galvanização é eletrolítica.

6 – Checar o tipo de pintura, pois isso vai fazer diferença na vida útil do produto. Não deve ser utilizada por exemplo, uma tinta esmalte sintética, que gera maior manutenção, tem menor durabilidade e proteção. Já a pintura eletrostática dura mais e oferece mais proteção e elasticidade, visto que a estrutura de se expande com temperaturas elevadas e se contrai com temperaturas mais baixas – além de ser ecologicamente correta.

7 – Conferir ainda a estrutura da torre: se a composição é simétrica, o que facilita e acelera o processo de montagem da torre, reduzindo o custo final do produto. A torre simétrica também reduz custo na logística de transporte. Evitar as torres tubulares, pois há dificuldade em tratar a parte interna dos tubos, diminuindo a vida útil da torre. Outro ponto negativo é o fato dessas torres serem soldadas. Não podemos saber o que aconteceu com o aço após a solda, e os pontos de solda são pontos de fadiga nas torres, levando a um risco de falha na estrutura, que geralmente são motivos para quedas de torres. Outros modelos que devem ser evitados são os produzidos com aço laminado, as famosas “cantoneiras” – das quais não se pode dizer que dureza tem o aço, e quanto de carbono tem em sua composição.

8 – Garantir que o projeto da torre seja feito e assinado por profissionais habilitados para tal, como engenheiros etc.

Enfim, uma torre de qualidade é produzida com chapas classe A, geralmente ATM – A 36 ou aço SAE 1045 galvanizado a fogo, definida pelo engenheiro projetista, dentro das normas ABNT. Essas chapas são cortadas, puncionadas para ter precisão nos furos, dobradas para melhor resistência e acabamento. Após a dobra deve-se levar as peças para imersão a fogo, a galvanização a fogo. Depois desse processo, as peças devem ser receber um tratamento para a pintura, que consiste na limpeza da peça e preparação das paredes do aço com micro furos e elevações, para uma melhor aderência da tinta, aumentando assim a durabilidade, a resistência e a qualidade do produto.

Elizangeles Lopes é diretora executiva da ZapMetal – Metalúrgica Cotipora