O fundo Light Wave Capital, constituído em junho deste ano, com sede em Florianópolis (SC), decidiu ampliar os limites dos investimentos que pretende fazer em provedores regionais de internet. Formado por investidores institucionais brasileiros, europeus e norte-americanos, o fundo tem “cheques” de até R$ 150 milhões, segundo seu fundador e gestor, o executivo Ricardo Montes.

Egresso do mercado de telecom, com passagem pela Oi, e do setor financeiro, no qual já estruturou operações de fusão e aquisição de provedores no passado para um grande fundo, Montes previa fechar negócios de até R$ 100 milhões em junho. Agora, elevou o valor em 50%.

“Vimos que as condições do mercado exigem essa flexibilidade. Muitas das propostas que estamos analisando são para atender rollups, a compra de dois ou três provedores conjuntamente”, afirma. A seu ver, o mercado ISPs está aquecido, e vai continuar assim por muito tempo.

O Lightwave Capital quer entrar como sócio majoritário, detendo de 85% a 100% da participação dos provedores nos quais vai investir. O objetivo é encampar a gestão e manter o crescimento. No escopo de aquisição estão empresas com receita de pelo menos R$ 40 milhões, e de no máximo R$ 100 milhões, que tenham crescido 40 a 45% ao ano nos últimos três ou quatro anos.

A saída do investimento por parte do fundo acontecerá em quatro a oito anos. “A intenção é assumir, crescer, profissionalizar, implantar governança corporativa, auditoria externa, e com isso atrair investidores maiores”, detalha Souza. Em suas pesquisas de mercado, Montes diz que há ao menos 100 ISPs que se enquadram, preliminarmente, nos requisitos do fundo. “Estamos ainda negociando com muitos deles”, diz.

A seu ver, o mercado brasileiro de provedores entrega números excelentes. “É um segmento em ebulição, com crescimento sólido. Eles são maiores do que os números apontados pela Anatel. Há um déficit de fibra óptica no Brasil, e que as grandes operadoras não têm capital para cobrir. Quem tem esse capital são os pequenos, pulverizados pelo país. Com o 5G, esse déficit só vai aumentar. Se os provedores não forem comprados, no mínimo farão bons contratos de leasing da infraestrutura”, avalia.