Projetado pelo FreepikA fase de “terminação gradual” do estoque de endereços IPv4 na região da América Latina e Caribe, anunciada em 2014, chegou à última etapa, conforme anúncio do Registro de Endereçamento da Internet para a América Latina e o Caribe (Lacnic). Apenas entrantes – operadoras que ainda não tenham blocos IPv4 alocados diretamente por um Registro Internet – serão atendidos, conforme política estabelecida pelo NIC.br, responsável pela gestão de domínios no país.

“Todo terminal que se conecta à internet precisa de um identificador para que a comunicação se estabeleça. Esse identificador é o número Internet Protocol (IP), um conjunto limitado a quatro bilhões de endereços na versão 4. Nos últimos dez anos, com o crescimento de usuários e serviços na internet, temos alertado para a necessidade de transição para o IPv6, cujo espaço de endereçamento é praticamente infinito”, explicou Ricardo Patara, gerente de Recursos de Numeração do NIC.br. O protocolo IP na versão 6 (IPv6) tem um enorme espaço de endereçamento, de tamanho adequado para atender por muito tempo as necessidades futuras da internet.

O último lote do estoque, que passou a ser utilizado dia 15, tem mais 5 milhões de endereços IPv4, agora reservados apenas aos novos entrantes. As alocações estão limitadas a1024 endereços e não serão permitidas alocações adicionais. “Esta última fase da terminação gradual permite que os provedores que estão entrando no mercado iniciem seus serviços e tenham mecanismos para fazer a transição para o IPv6, que é o futuro da internet”, esclareceu Patara. “O Brasil tem aproximadamente 14% de utilização de endereços IPv6. A tendência, a partir da adoção desta última etapa, é de rápido crescimento”, complementa Eduardo Barasal Morales, analista da equipe IPv6.br.

Warder Maia, presidente do Lacnic, diz que as empresas tinham uma expectativa de que essa fase da transição iria se alongar, mas isso não aconteceu. Ele lembra que, de um lado, muitos provedores têm equipamentos que não aceitam IPv6; de outro, há ainda muitas aplicações que só rodam em IPv4. “Agora será preciso acelerar”, recomenda.

Estudo feito pela Cisco mostra que a quantidade de acessos IPv6 será de 1,1 bilhão em 2020 – eram 370 milhões em 2015, na América Latina. Ao mesmo tempo, 55,2% de todas as redes (fixas e móveis) serão compatíveis com o IPv6. O Brasil será responsável por quase a metade dos acessos, com 435,8 milhões em 2020, ante 167,8 milhões em 2015. Também usaremos mais o IPv6 que a média regional, com 56,8% das redes compatíveis com o novo protocolo.