Fernando Morellato*

Operadoras versus Provedores no mercado FTTH, os ISPs devem se preocupar? De maneira tardia as grandes operadoras de telecomunicações almejam recuperar o espaço perdido para os provedores de Internet regionais. Empresas como a Oi, Vivo e outras querem contra-atacar o avanço dos ISPs por meio da massificação do FTTH oferecendo conteúdos como over-the-top e via IPTV.

Provedores arrumados estão “com a faca e o queijo”

Mas cabe lembrar que estas mesmas operadoras perderam gradativamente seu cliente pelo desrespeito aos seus anseios e necessidades, especialmente em localidades mais remotas. Além, obviamente do claro desinteresse e atendimento “robotizado” algumas operadoras tiveram enxurrada de reclamações.

De fato, ao longo do tempo os provedores regionais ganharam força e qualidade. Grandes congressos, como o da Abrint, comprovam isso. A proposta das grandes operadoras tipicamente é ofertar planos de até 200 Mbps partindo da faixa dos 100 reais. E isso os ISPs já fazem com competência e qualidade há algum tempo. Mas será que estas grandes operadoras vão tomar o mercado dos provedores?

Nesta hora, qualidade, estabilidade, bom atendimento e serviços diferenciados farão a diferença, não unicamente preços. Assim, se você tiver fidelizado seu cliente, ele não lhe descartará imediatamente. Se houver questões de preço provavelmente o cliente procurará negociar caso a caso. É momento de oferecer um upgrade de plano com benefícios, e eventualmente até mesmo com aumento de ticket mensal.

Lembre-se que o cliente não trocará um bom serviço “por nada”. Segundo afirmação do diretor comercial da Oi, Bernardo Winik “Não há guerra de preços. Os pequenos puxam o preço para baixo, e não vamos fazer isso”. Não falamos unicamente de preços, mas sim de qualidade, estabilidade, atendimento. Mas se houver guerra de preços você estando bem organizado poderá oferecer serviços em pé de igualdade ou até melhores.

Provedores versus Operadoras o que concluir?

Concluindo, se sua operação está bem organizada, você investiu em treinamentos, certificações de qualidade, redes bem organizadas e padronizadas não há com o que se preocupar. Dessa forma, bom atendimento e qualidade não competem necessariamente com preço. Provavelmente a movimentação do mercado em processos de M&A fortalecerá mais ainda o mercado de ISPs. A necessidade de qualidade no processo passará a ser exigência, assim certificações de qualidade ISO 9001 serão cada vez mais comuns. Então, você provedor, terá novos desafios, mas são totalmente realizáveis. Boa briga!

 

*O professor Morellato é diretor da empresa de consultoria IPV7 e do Instituto GYZ, do mesmo grupo.