Mesmo sem a aprovação definitiva do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que assinou com a Anatel, que ainda depende de ajustes solicitados pelo TCU, a Telefônica vai selecionar as cerca de 20 cidades onde pretender implantar rede de fibra óptica em 2018 e adotar as medidas iniciais que não requerem investimento. “Já vamos começar a solicitar licença das prefeituras e fazer os projetos, para poder cumprir o cronograma quando o TAC for definitivamente aprovado”, informa Eduardo Navarro, presidente da operadora.

Ele está confiante de que o processo vai ser concluído até o final do ano e quer estar com tudo pronto para iniciar a implantação das redes ópticas em janeiro. Para 2018, prevê cobrir 20 cidades, e as demais 86 nos três anos seguintes. A instalação das redes ópticas nessas cidades – vão ser fibradas, em média, 15 mil casas por cidade, em um total de 1,5 milhão de domicílios em todo o programa – vai consumir R$ 3,4 bilhões. Os demais R$ 1,6 bilhão de investimento previsto pela troca de multas serão destinados a projetos estruturantes para a melhoria da qualidade dos serviços.

De acordo com Navarro, todas as cidades da lista do TAC são de porte médio, entre 180 mil e 200 mil habitantes, que integram o grupo de municípios classificado como Cluster C, carente de infraestrutura de rede. 2/3 das cidades estão fora do estado de São Paulo. As seis cidades que a Telefônica atendeu este ano e que faziam parte da lista do TAC – a operadora planejou a implantação na expectativa de que fosse aprovado no início do ano – provavelmente não serão consideradas pela Anatel.

Das seis cidades, quatro são em São Paulo – Avaré, Campo Limpo Paulista, Cosmópolis e Lençóis Paulistas – e duas fora: Guarapari, no Espírito Santo, e Petrolina, em Pernambuco.

Navarro lembra que para definir a lista de cidades foi feita uma simulação pelos técnicos da Anatel sobre o melhor retorno do investimento em termos de população coberta pelas novas redes, considerando inclusive a população pobre dessas cidades médias. E comparou-se esse cenário com o da cobertura de quatro cidades de muito baixo IDH em regiões muito distantes. O resultado mostrou que o custo de cobrir essas quatro cidades era alto demais, para um resultado muito pequeno em termos de população coberta. Por isso, a escolha recaiu sobre as cidades médias, incluindo bairros centrais e periferias.