O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou por maioria (4 votos a 2) nesta quarta-feira, 27, a compra da Fox pela Disney, com restrições. Pelo acordo, a Fox Sports no Brasil precisa ser vendida, vetando a união desse canal com a ESPN., mercado onde há maiores problemas concorrenciais.

O Cade poderá rever a decisão a favor da fusão Disney/Fox, caso a venda do canal no Brasil não seja efetivada. A decisão objetiva  criar um novo competidor no Brasil no mercado de canais esportivos.

A aquisição da Fox pelo Grupo Disney teve início em 2017 e que incluiu a compra do canal de esportes por assinatura Fox Sports nos chamados territórios (regiões e países), incluindo o Brasil. Além da venda do canal da Fox Sports, a operação foi aprovada com outras medidas negociadas em um Acordo em Controle de Concentrações (ACC).

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Pelo ACC firmado, a Disney se compromete ainda a não discriminar a venda de pacote a prestadoras de pequeno porte, mantendo as condições oferecidas às grandes operadoras, com maior poder de negociação. A preocupação do órgão antitruste é de que a empresa resultante da fusão exerça poder de mercado significativo, inviabilizando a compra de pacotes por prestadoras regionais.

De acordo com a avaliação da Superintendência-Geral do Cade, as pequenas operadoras já teriam dificuldade para oferecer canais esportivos da Globosat devido ao seu alto custo, assim a contratação dos canais das duas empresas seria uma alternativa fundamental. “A operação possibilitaria que a empresa resultante da fusão tenha um amplo portfólio e poder para determinar unilateralmente seus preços”, avaliou a área técnica da SG, em parecer.

A compra da Twenty-First Century Fox pela Disney foi anunciada em 2017. A operação custou US$ 71,3 bilhões. Segundo Burnier, sem a venda do Fox Sports, o mercado de esportes na TV a cabo ficaria concentrado em apenas duas empresas, que deteriam 95% do mercado. Hoje, segundo o conselheiro, a SporTV, do Grupo Globo;  a ESPN e a Fox Sports detêm 95% do mercado. A Band Sport detém apenas “uma franja” do mercado, avaliou o conselheiro.