Fusão entre ISPs é tão fácil como dizem?


Pablo Constantino

Pablo Constantino & Droander Martins*

Fusão entre ISPs (Provedores e Internet) é tão fácil como dizem? Será mesmo? Todo o mercado que esteja em processo de consolidação, compra, vende ou adota fusão! Porém, é mais comum este movimento ocorrer entre empresas médias e grandes. No entanto, no Brasil temos observado nos últimos anos, que os pequenos provedores, que sempre eram os últimos a saber dos fatos e ficavam de fora destes movimentos, estão encabeçando várias iniciativas com foco em fusão. Esses provedores entenderam que a nova estratégia é “crescer ou morrer”.

Fusão de Provedores! Crescer ou Morrer!

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Mas, como em toda decisão, existem prós e contras. Portanto, abordar esse tema é exatamente o objetivo deste artigo. Por isso, vamos explicar algumas das vantagens e desvantagens de uma fusão entre provedores de Internet (ISPs).

Certa vez, eu (Pablo) e meu sócio Droander estávamos em uma reunião juntamente com um grupo de sete empresários que decidiram se unir. Assim, a proposta era simples! Realizar uma fusão entre eles e dominar o mercado da região de atuação deles! Agora não tem para a concorrência, vamos engolir todos, essa fusão será um sucesso! Diziam os mais exaltados, arrojados e inovadores do grupo.

Achamos a ideia altamente motivadora e empolgante. Aceitamos trabalhar na estruturação da fusão, afinal com tantas mentes inteligentes juntas nada poderia dar errado! Pelo menos foi o que pensamos!

Acordo de Confidencialidade e Valuation

Então, iniciamos os contratos de confidencialidade entre as partes. Porque não é interessante que sete concorrentes saiam espalhando informações estratégicas e confidenciais das suas empresas, não é mesmo? Contratos assinados, hora de realizar o valuation de cada operação e descobrir quanto serão as porcentagens de cada sócio na nova empresa.

Aí que começaram as dores! Alguns sócios não estavam com o mindset pronto para participar de algo maior… Desse modo acabaram ficando desconfortáveis em perder as “regalias” que o seu próprio negócio proporcionava. Viagens para fora do país, cartão empresarial que a esposa utiliza sem controle, a sua Hilux novinha, saques de valores altíssimos sem prestar contas para ninguém, etc…

Todos esses valores são superficiais e prazerosos em curto prazo! Filosofia diferente dos sócios que de fato estão comprometidos com a operação visando um bem maior. Favorecendo o crescimento da nova empresa e das pessoas envolvidas, além dos novos empregos que irão gerar e das novas cidades atendidas por sua internet!

Seleção natural

Nesta etapa ocorre uma seleção natural. Dos sete empresários viraram apenas três. Sim, foram os mais arrojados e inovadores que continuaram no processo! Em seguida, com o intuito de levantar possíveis passivos de cada empresa, agora se inicia uma due diligence em cada operação. Buscando redes não regularizadas na concessionária, funcionário sem carteira assinada, terceiros sem contratos, equipamentos sem Anatel, enquadramento incorreto do regime tributário, falta de compliance e governança corporativa, são alguns dos pontos a melhorar em cada operação.

Certamente estes “ajustes” modificam fortemente a questão do valuation destes provedores. Assim, foram realizados os acertos da negociação baseado em seus novos valores e definições que os sócios fizeram em reunião de diretoria. Desse modo gerando um memorando de entendimento que todos assinam estando de acordo com as definições realizadas. Por conseguinte o contrato e estatuto societário estão criados. “Graças a Deus”! Tudo certo! Tudo certo? Mesmo? Ainda não! Agora se inicia o planejamento estratégico da nova empresa, definindo quais são os planos e estratégias para os próximos anos!

A união faz a força

Assim, recursos que as três operações iriam utilizar individualmente para investir em uma mesma cidade, agora podem ser compartilhados em três cidades diferentes. Proporcionando aumento de crescimento e taxa de abrangência. Observou- se que gastos com custos operacionais reduziram drasticamente. Afinal a nova empresa possui apenas um NOC, um escritório contábil, uma assessoria em marketing, um consultoria estratégica, um setor comercial de vendas, um setor financeiro, um setor de engenharia, etc… Estas reduções aumentaram consideravelmente a rentabilidade da operação, tendo mais facilidade para captar recursos, ficando muito mais atrativa para fundos de investimento e investidores.

Por fim, pense se é interessante realizar uma fusão entre provedores. Deve haver muita sinergia entre os sócios e o processo deve ser feito corretamente. No exemplo acima observamos algumas vantagens e desvantagens. Mas, se não for realizar uma fusão, defina seu posicionamento frente ao mercado, comprador ou vendedor. Mas se decidir fazer uma fusão, avalie até que ponto você está disposto a investir na fusão e na profissionalização de sua empresa, abrindo mão do seu ego e até mesmo de “regalias”.

Doandrer Martins

*Fundadores da Vispe Capital

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