Planejamento dos ISPs evita desabastecimento de produtos para redes ópticas


Diferentes operadoras regionais estão em estado de alerta para o risco de escassez de produtos usados na construção de redes ópticas. A previsão é de que neste ano haja falta de artigos de baixo valor agregado, como cabos de fibra, conectores e caixas de emenda. No médio prazo, há temores de que faltem semicondutores para equipamentos sofisticados.

A avaliação foi feita por diferentes ISPs em evento digital realizado na noite de ontem, 16, pela revista RTI. Rui Gomes, CEO da Um Telecom, contou que embora a China tenha regularizado sua produção, a cadeia logística global ainda sofre com assimetrias derivadas da pandemia de Covid-19.

Ele explicou que a China tem enviado contêineres cheios de produtos para Europa e Estados Unidos. Por praxe, estes países deveriam devolver os contêineres com seus produtos, o que não vem acontecendo pois nessas áreas a indústria ainda não foi normalizada. A retenção de contêineres elevou o custo do frete.

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“Houve aumento de mais de 1.000% no custo do aluguel do contêiner. Produtos de valor agregado baixo ficam impossíveis de ser importados por conta do custo de frete e desembaraço aduaneiro. Caixa de emenda, conectores, cabos de fibra estão impossíveis de serem trazidos. Então existe um desabastecimento desses produtos”, afirmou Gomes.

Segundo ele, as fábricas brasileiras não conseguem atender à demanda interna “porque o insumo vem da China”. Para ele, essa situação deve piorar ao longo de 2021. No entanto, avalia que não haverá escassez de produtos de alto valor agregado, como roteadores e switches.

Salim Bayde, CEO da Mob Telecom, credita a falta de produtos à alta demanda. E diz que cabe às operadoras regionais elaborar planos sofisticados de gestão de estoques e hedge para lidar com a variação cambial. “São muitas incertezas e ninguém sabe aonde isso vai. Então somente um planejamento assertivo, com visão de fluxo de caixa com consiga suportar esse aumento da cobertura dos estoques para suprir a demanda, é a medida mais assertiva para lidar com o desabastecimento que estamos enfrentando”, avaliou.

Equipamentos sofisticados

Para Felipe Cansanção, CEO da Aloo Telecom, há também o risco de desabastecimento de equipamentos de alto valor agregado, como DWDM, roteadores e switches. “Recebemos alertas de diferentes fornecedores para nos planejarmos, para anteciparmos um pouco os próximos seis a 12 meses porque existe um risco nessas indústrias”, afirmou.

Os alertas, disse, se devem à competição internacional. As redes 5G começaram a ser implantadas a todo vapor mundo afora, principalmente nos Estados Unidos. “As grandes operadoras lá fora estão colocando muitos pedidos, os EUA quando entram para comprar afeta a produção. E tem ainda a escassez de semicondutores, então fica o alerta porque vai ser outra dificuldade para pequenos e médios enfrentarem”.

Vale lembrar que em 2020 houve um crescimento substancial de produtos chineses para redes ópticas trazidos ao Brasil, especialmente cabos de fibra, que levou a uma reconfiguração do mercado local. Mesmo assim, as fabricantes de grande porte, como Prysmian e Furukawa, estão ampliando suas plantas, prevendo continuidade da demanda crescente e a fim de não perder market share.

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