Como precisavam de links mais baratos para interconectar seus assinantes, Neilson Reis, da Fiber Network, e Maykon Souza da Costa, da Interlink, que atuam em bairros populares de Manaus, decidiram construir um anel óptico na capital amazonense para interligar também as redes de outros provedores, até então sujeitos ao monopólio da TIM, a provedora de links com preços mais competitivos – mas, ainda assim, considerados caros.

O backhaul foi construído com cabos ópticos Cablena, do grupo do mexicano Carlos Slim, e todo o sistema de eletrônica da Datacom, empresa nacional do Rio Grande do Sul. São 70 quilômetros de rede, com seis pontos de interconexão, que permitem atender com banda larga a todas as regiões da cidade e mesmo a provedores regionais do interior. Em operação desde março, a rede já conta com 15 provedores como usuários, com um total de 7 mil assinantes.

Segundo Neílson Regis, que também é presidente da Apriam, a associação de provedores do Amazonas, a rede oferece um preço especial aos associados da entidade. “Estamos comercializando o Mega dedicado por R$ 60 para quem compra 100 Mbps por mês. Isso é a metade do que estávamos pagando por Mega”, explica ele. “Nosso objetivo é fazer um projeto sustentável, que possa ser bom para todos os provedores da cidade”, fala Maykon Souza.

De acordo com o cadastro de licenças de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) da Anatel, existem 53 empresas licenciadas atuando em Manus. Mas Maykon acredita o que número real é superior a 150. A maioria são empresas muito pequenas, com menos de mil usuários. E uma parte relevante delas ainda se mantém na informalidade.

Por enquanto, a rede metropolitana conta com 2 Gbps ativos, mas a expectativa de Neílson Reis é ativar mais 3 Gbps até o final de junho. “Dependemos apenas do fornecedor do link”, diz ele. Com a expansão da capacidade, Neílson e Maykon, que investiram R$ 400 mil para instalar o backhaul, podem iniciar a segunda fase do projeto. Instalar um CDN (Content Delivery Network) na cidade, para melhorar a experiência de seus usuários no acesso a conteúdos muito acessados.

Para isso, já iniciaram as negociações com Google e Netflix e estão buscando um local para a instalação dos servidores. Uma alternativa em análise é o data center da Prodam, a empresa de TICs do governo do Amazonas. “Tudo vai depender do preço”, resume Maykon. Com aumento da capacidade do backhaul, ele acredita que vão ter tráfego suficiente para atrair os grandes provedores de conteúdo para o CDN privado que vão montar, rateando os custos entre os usuários.