O carioca Wildes Oliveira tem duas vidas. Uma, até os 9 anos de idade, quando vivia em uma família desestruturada e sofria maus tratos – o que o levou a fugir para as ruas, onde passou 4 anos dormindo em portas de lojas, trens, entre outros abrigos possíveis. A segunda história começa exatamente nesse ponto, em um dos lugares onde se abrigava, o estoque de uma barraquinha de cachorro quente. Acolhido pelo dono da barraca, aos 13 anos, ele aprendeu a fazer lanches e se tornou chapeiro. O patrão promoveu, então, um reencontro de Wildes com a família.

Feita a reconciliação, sua mãe o incentivou a ir para a Bahia, morar com um tio que ele admirava. “Esse tio foi minha inspiração para o que me tornei hoje”, diz Wildes, um empresário bem-sucedido, que não para de crescer. O tio, com 17 graduações, “pagas pela Embratel, onde ele trabalhava”, abriu não só sua casa, mas sua biblioteca para o sobrinho.

“Eu lia tudo que me aparecia na mão, tinha muita facilidade para absorver as informações. E foi com essa sede de saber que voltei ao Rio, aos 20 anos, já consertando computadores e entendendo de redes de comunicação”, lembra. De volta à cidade natal, Wildes começou a montar redes de pequenos estabelecimentos e automatizar lojas no centro comercial Saara. Logo abriu seu próprio negócio, vendendo equipamentos de informática, em um estande de 1m x 1m, no Largo São Francisco.

As coisas estavam dando certo, quando aconteceu o boom das lan houses. E aí ficou melhor ainda. “Eu e minha equipe montávamos uma lan com dez máquinas em um único dia”, lembra ele. Wildes atribui o sucesso que obteve nessa época à tamanha rapidez da implantação e à qualidade do suporte que oferecia aos clientes.

A experiência o levou a alçar voos mais altos. Em uma lan house instalada em um distrito de Nova Iguaçu, montou seu primeiro projeto de internet, com conexão por satélite. “Eu nunca tinha visto nada sobre aquilo. Tive de estudar muito, pesquisar. Cheguei até a investir dinheiro do meu bolso em equipamentos, para ver o projeto funcionar”, conta.

O próximo grande passo rumo ao futuro foi em 2002, quando passou a vender equipamentos para redes sem fio. Começou com dez placas Wi-Fi, 100m de cabos e 10 conectores. Assim, lojinha de 1m x 1m se tornou a Top Tech, loja de 145 m2, onde vendeu 1.800 antenas e chegou a instalar mais de 5 mil pontos de acesso em um mês. Em 2010, a empresa faturava mensalmente R$ 400 mil. Foi nesse ano que Wildes se junto a mais dois sócios e comprou um provedor do Rio Grande do Norte.

Esse foi o embrião da Link Full, provedor de serviços de telecomunicações que hoje tem um tráfego de rede de 60 GB, 800 km de fibra óptica, 7 mil assinantes residenciais e 210 corporativos (80% ISPs). Na nova sede, construída com recursos próprios na Avenida Brasil, trabalham 68 funcionários.

“Tenho até o quinto ano e aprendi tudo o que sei como autodidata”, conta. Mais do que um exemplo de superação, a história de Wildes será seu grande legado. Hoje pai de 3 filhos, ele está esperando pelo quarto… ou melhor, pela quarta. Desta vez, uma menina!