Se depender do comportamento do consumidor brasileiro de telefonia celular, uma possível cobrança adicional por uso de dados poderá trazer sérios problemas aos clientes. Segundo a Global Mobile Consumer Survey 2017 realizada pela Deloitte, oito entre dez entrevistados confessam que estouram seus pacotes de dados. E, mais grave ainda, 20% relataram que não sabem nem mesmo qual é seu plano de dados. Pacotes limitados, com capacidade inferior a 3G, estão na preferência de 51% dos entrevistados.

O levantamento ainda mostrou que 33% dos usuários acessam notificações de mídias sociais no meio da noite. Quando se analisa especificamente a faixa de jovens entre 18 e 24 anos, esse percentual sobe para 45%. No Reino Unido, são 22% dos jovens com essa prática.

Para Marcia Ogawa, sócia-líder de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da Deloitte, o brasileiro mais uma vez se destaca como um público com uso intensivo de tecnologias móveis. Isso tem favorecido mudanças de hábitos e costumes em diversas áreas.

PUBLICIDADE  

De acordo com o levantamento, a tecnologia Wi-Fi se consolida como a mais utilizada para acesso à Internet entre os brasileiros, mesmo diante do aumento da cobertura 4G. Em 2015, 81% utilizavam Wi-Fi enquanto 19% acessavam via redes celulares. Nessa ocasião, a penetração 4G era de 25%.

No ano seguinte, houve um recuo do Wi-Fi para 75% enquanto o acesso via operadoras se expandia para 24% e a cobertura 4G chegava a 44%. Mas em 2017 o Wi-Fi volta a ganhar escala e atinge 84%, sua maior marca, para 16% de acesso via redes móveis. A cobertura 4G, por sua vez, atingiu 61%.

Se são ávidos consumidores de dados móveis, os brasileiros não têm interesse semelhante em apps, como chama a atenção a executiva. Para 48% não há necessidade de “ter mais apps”. Um dos obstáculos nessa área é a falta de memória para armazenamento (48%).

Marcia Ogawa também informou que o mobile banking está conquistando a preferência dos consumidores para realizar transações. 34% dos entrevistados adota essa prática. 46% dos que têm essa preferência checam saldo via smartphones mais de uma vez por semana, enquanto 31% realizam também outras transações bancárias e 20% efetuam transferência de dinheiro no país.