Como será o futuro das redes de banda larga


Cloonan e Johnsen falam sobre futuro das redes/Crédito: Divulgação
Cloonan e Johnsen falam sobre futuro das redes/Crédito: Divulgação

Por Tom Cloonan e Ric Johnsen*

As tendências mais importantes que impulsionam as redes de banda larga em 2022 são uma extensão natural do progresso e dos desafios que vimos em 2021. Em particular, a resposta global ao Covid-19, criando impulsos nos investimentos em rede e inovação contínua em tecnologia de banda larga, que estão contribuindo para a inovação nessa área. Identificamos seis pontos que acreditamos que conduzirão à evolução este ano: crescimento contínuo da largura de banda, acesso disseminado à banda larga, expansão no uso de fibra, aumento no uso de DOCSIS e DAA, maior inteligência em software de gerenciamento de rede nativo em nuvem e a mudança de design de tecnologia de banda larga.

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Crescimento da largura de banda

No ano passado, observamos uma taxa de crescimento de aproximadamente 20% no uso médio da largura de banda residencial durante os horários de maior movimento, com picos e quedas ocorrendo à medida que países e cidades entravam ou saiam do lock down em cada nova onda da Covid-19. Acreditamos que essa atividade continue e, à medida que lidamos com o crescimento do trabalho e estudo remoto, a demanda e as expectativas dos clientes por largura de banda também aumentarão. No futuro, veremos acordos de nível de serviço (SLAs) construídos além dos intervalos atuais para acomodar essas mudanças nos hábitos de uso. E, por sua vez, esses SLAs mais complexos darão origem a novos serviços com uso intensivo de largura de banda, como realidade aumentada e realidade virtual.

Maior acesso à banda larga

Os próximos anos também criarão um impulso em torno de uma distribuição mais onipresente de serviços de banda larga para muitas áreas mal servidas. Vários fundos e iniciativas para construir um acesso mais equitativo – em particular, o Rural Digital Opportunity Fund (RDOF) e a Infrastructure Bill, ações nos Estados Unidos – irão impulsionar as vendas de tecnologia e dispositivos, à medida que mais assinantes ganham acesso à banda larga. Veremos XGS PON baseado em fibra e DOCSIS 3.1 com base coaxial chegando a áreas que não tinham serviços de largura de banda de alta qualidade. Esses investimentos criarão aumentos proporcionais na receita e a capacidade de adicionar mais funcionários às operadoras locais. E veremos o crescimento de recursos tanto em operadoras em áreas urbanas como na cobertura em áreas rurais.

Nesse cenário, vale concentrar esforços em redes de banda larga em quatro áreas principais para o futuro: implantações de fibra, adoção de DOCSIS, software de gerenciamento de rede inteligente e novas tecnologias.

Implementação de fibra

O uso de fibra crescerá rapidamente nos próximos anos. Algumas operadoras de cabo, por exemplo, estão planejando implementações de HFC mais amplas para ajudar a reduzir o tamanho dos grupos de serviços. Essas implementações utilizarão Ethernet e PON para fornecer conectividade para nós em DAA no futuro. Algumas operadoras de telecomunicações e de cabo que já estão implantando soluções PON provavelmente expandirão essas soluções para mais regiões geográficas (devido a fatores como o programa RDOF mencionado anteriormente neste artigo). Outras começarão a fazer a transição de soluções de banda larga baseadas em coaxial para soluções com base em PON (tanto EPON quanto XGS PON) no futuro.

As implantações de fibra exigirão sistemas de cabeamento de fibra óptica e soluções de conectividade. Além disso, os produtos OLT e ONT que gerenciam e transmitem os sinais ópticos pelas fibras implementadas também são áreas de foco de produto importantes para o fornecedores de equipamentos. Com OLTs baseadas em nó e em empilhamento com suporte a tecnologias EPON e XGS PON, será possível fornecer as tecnologias-chave necessárias para as operadoras em suas implantações de fibra por muitos anos.

DOCSIS e DAA Evolution

2022 será um grande ano para o DOCSIS, pois iniciamos a implantação das últimas fases dos recursos do DOCSIS 3.1. Veremos atualizações significativas de aumento de largura de banda para 85 MHz upstream mid-split, 204 MHz upstream high-split e downstream de 1,2 GHz. Muitas dessas atualizações são uma resposta direta ao aumento na largura de banda – especialmente no upstream relacionado ao período de pandemia. Também veremos mais habilitação dos canais DOCSIS 3.1 OFDMA e OFDM. Essas atualizações do estágio final do DOCSIS 3.1 servirão como uma ponte importante entre as redes de hoje e as redes DOCSIS 4.0 para os próximo dois a três anos. Vai ser um momento empolgante para os jogadores também, com o DOCSIS de baixa latência chegando online. Prevemos o LLD como um novo fluxo de receita para operadoras nos segmento de games, bem como um conjunto de recursos competitivo que irá melhorar a experiência geral de banda larga.

Esperamos que as operadoras de cabo continuem com sua tendência de implementações de arquitetura de acesso distribuído (DAA). Esses DAAs estabelecem as bases para futuros aprimoramentos de tecnologia, como as larguras de banda mais altas das soluções DOCSIS 4.0. Haverá também um aumento acentuado nas operadoras que decidem migrar diretamente para as arquiteturas MACPHY remotas. A chave para a maioria dessas operadoras é a flexibilidade de escolher uma arquitetura e um caminho que funcione melhor com sua rede única. Felizmente, uma série de inovações tecnológicas – como o RxD, que permite que uma implementação remota de PHY seja atualizada para MACPHY remoto por meio de software – fornecerá muitas opções para as operadoras atingirem o DAA de sua escolha.

Software de gerenciamento de rede na nuvem

O objetivo do futuro software de gerenciamento de rede é capitalizar sobre a maior disponibilidade de análise de dados de streaming coletados de muitos dispositivos DAA em uso. Isso fornecerá acesso mais rápido a muito mais informações, cobrindo mais parâmetros operacionais de rede do que nunca. O software virtualizado na nuvem utilizará técnicas de inteligência artificial e Machine Learnig recém-desenvolvidas para digerir rapidamente os dados e identificar problemas na rede CIN, na planta de HFC, na rede DOCSIS ou em PON. Esses sistemas automatizados de gerenciamento de rede devem corrigir os problemas antes mesmo que os assinantes comecem a sentir qualquer efeito negativo.

Design de tecnologia

Um dos maiores desafios para os fornecedores no ano passado foi projetar produtos de rede de banda larga em uma época de escassez. Mas a modularidade e a eficiência surgiram em resposta direta às restrições da cadeia de abastecimento global e são algumas das tendências que continuarão este ano. É preciso, por exemplo, realizar iniciativas para reduzir o consumo de energia, diminuir os custos operacionais e reduzir os gastos. Os próximos anos serão definidos por essas evoluções e inovações.

Ainda existem muitos caminhos para as operadoras fornecerem suas redes do futuro e definirem a maneira como bilhões de pessoas em todo o mundo experimentarão a banda larga e o vídeo. Cada uma dessas áreas moldará esses caminhos à medida que as operadoras equilibram sua visão mais ampla com os avanços da tecnologia, para decidir o futuro das redes de banda larga.


*Tom Cloonan é Chief Technology Officer (CTO) e Ric Johnsen é vice-presidente da CommScope para a área de redes de banda larga

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