Criado em 2015, com o objetivo de expandir a banda larga para a região Norte, o Programa Amazônia Conectada está sob a responsabilidade do Ministério da Defesa, que coordena as ações do Comitê Gestor do Programa, composto pelo Comando do Exército Brasileiro, pela Secretaria-geral do Ministério da Defesa, pelo Ministério das Comunicações, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTIC) e pela Telebras.

Coube ao Exército a implementação do Projeto Infovias, de instalação de infraestrutura óptica subfluvial nos leitos dos rios da região Amazônica. Até o momento, foram executadas três fases desse projeto. O primeiro trecho, concluído em abril de 2016, liga as cidades de Coari e Tefé. No entanto, mais de um ano após a entrega desse trecho, que desde então está sendo explorado por uma única empresa, a AMNet, os demais provedores de acesso à internet locais ainda não podem usufruir desse backbone porque ainda não está disponível a conexão com Manaus.

De acordo com o Exército, em maio deste ano completou-se o lançamento dos cabos subfluviais nos trechos de Manaus a Coari, de 470 km, passando por Manacapuru; e Manaus a Novo Airão, 127 km.  A estrutura permitirá a ligação de Manaus a Tefé, no leito do rio Solimões, e a ligação de Manaus a Novo Airão, no leito do Rio Negro. A opção pelos cabos fluviais foi feita por conta de impedimentos técnicos na primeira opção de operação – a utilização do gasoduto da Petrobas, que passa pelas cidades da rota.

Questionado sobre por que os ISPs ainda não tiveram acesso à infraestrutura, uma vez que os testes do sistema terminaram em junho, o Exército informou, por meio de nota de sua assessoria de imprensa, que “a solução está em modo de funcionamento experimental para teste da qualidade de conexão e da capacidade de tráfego”. A integração dos órgãos intervenientes ao backbone da rede poderá ser realizada pelos órgãos interessados mediante a coordenação com o Comitê Gestor, e de acordo com as peculiaridades técnicas de cada demanda”. O órgão não diz quais os prazos para essas etapas.

Comenta-se que a governança do Amazônia Conectada, até hoje ainda não definida formalmente, poderá sair do Exército para outro ente do governo federal, como o MCTIC, que já integra o programa. Caberia ao Exército a execução física das rotas ópticas no leito dos rios da Amazônia. No momento, há negociações entre os integrantes do programa, mas ninguém fala a respeito.

A AMNet, que também espera a liberação do trecho, opera há quatro anos na rota Manaus-Coari, com rádio digital, em 12 cidades. “Hoje, temos capacidade de 900 Megas em rádio. Com a fibra do Exército, podemos passar para 2 Gigas ou mais. Isso vai diminuir os custos de manutenção e baratear o preço do serviço”, diz o diretor da empresa, Michel de Lima Feitosa.