De vilã a case de sucesso. Essa é a mudança de status que poderá ser atribuída à companhia de energia Cemig caso se confirme o fechamento de acordo para o compartilhamento da infraestrutura com os provedores regionais. A empresa passará a adotar os valores de referência para os contratos já estabelecidos pela legislação e, em contrapartida, terá solucionado todos os problemas técnicos de sobrecarga de equipamentos de provedores nos postes.

O empenho para fechar esse acordo está sendo feito pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), com a participação da Abrint (Associação Brasileira de Internet e Telecomunicações). Até agora o desempenho da Cemig nessa área de compartilhamento tem sido marcada por uma série de conflitos, principalmente em relação aos valores cobrados dos provedores. “Seu contratos preveem um pagamento acima de R$ 12,00 quando o valor de referência está na faixa de R$ 3,19*, comentou Basílio Perez, presidente da Abrint.

Ele está otimista sobre as negociações e considera que nos próximos dias possa ser fechado um acordo. Isso colocaria fim a 27 processos de resolução de conflitos que estão em andamento nas agências reguladoras.

Além de favorecer os provedores mineiros, Perez também considera que o acordo Cemig possa tornar a concessionária em uma referência importante de sucesso que poderá ser apresentada nas próximas reuniões com companhias de outros estados. “Temos hoje a Copel como essa referência, uma empresa que estabeleceu o valor de referência de forma automática nos contratos que ela fecha com os provedores. Não por acaso é uma concessionária que não registra um caso sequer de processo para resolução de conflitos. Esperamos que a Cemig reforce esse tipo de exemplo”, afirmou.

Com o possível acordo com a Cemig, o papel de “vilã” na relação com os provedores regionais poderá ficar com a CPFL que atende o interior paulista. “Todas tem um problema ou outro. Mas a CPFL quer discutir as questões técnicas do compartilhamento e nem chega a discutir o valor de referência para isso”, observou o presidente da Abrint. Já foram realizadas duas reuniões da companhia com as agências reguladoras e a entidade, até agora sem qualquer progresso nas negociações.