Multilaser Pro by ZTE. Essa é a nova marca que chega ao mercado de provedores regionais para a oferta de soluções com a tecnologia GPON , resultado do acordo fechado entre a Multilaser e a ZTE. Inicialmente, estarão disponíveis modelos da linha FTTx, o que deve incluir até a produção local de uma ONU, equipamento que faz a conversão de sinais.

O acordo, que tem validade de cinco anos, foi anunciado esta semana para um grupo de provedores que visitou a fábrica da Multilaser em Extrema, MG. A parceria une a forte presença da empresa brasileira no mercado nacional com os produtos da chinesa que, atualmente, ocupa a segunda posição no cenário mundial de vendas de OLTs e ONUs para redes GPON. Serão oferecidos no Brasil a OLT GPON ZXA10 C320, um dos principais produtos de acesso óptico da linha e que tem capacidade de atendimento para até 4096 clientes; a C300, com estrutura escalável e que pode atingir 28.672 assinantes; ONU GPON F601, F612W e ZXHN.

Diego Valeriano, gerente de contas Governo e Empresas da ZTE, não adiantou qual ONU será produzida no Brasil, mas acredita que provavelmente será um novo equipamento que ainda não está disponível internamente. A fabricação será feita na fábrica da Multilaser.

Por meio de um acordo com a Cianet, a ZTE já estava presente no mercado de provedores regionais há quatro anos. Mas Valeriano considera que agora é uma nova etapa, uma vez que a Multilaser Pro by ZTE não vai operar com distribuidores, mas com uma equipe de 28 representantes exclusivos da marca que trabalharão diretamente com os provedores. A ideia é chegar a 40 profissionais com esse perfil.

Alexandre Ostrowiecki, CEO da Multilaser, ressaltou que a capacidade da empresa de investir sete vezes o seu capital de giro vai permitir que ela trabalhe com até 8 meses de estoque para a entrega de produtos. As condições financeiras para a compra de equipamentos serão discutidas caso a caso, mas o executivo acena com facilidades que poderão ajudar os provedores a contornar um de seus maiores obstáculos que é a exigência de garantias para conseguir empréstimos em bancos, mesmo os governamentais.

“É muito difícil para a ZTE conseguir nos bancos chineses empréstimos para a aquisição de equipamentos para provedores regionais. Mas nós temos condições de fazer isso com a Multilaser, que poderá repassar para os clientes”, observou Valeriano.

No ano passado, a Multilaser obteve um faturamento de R$ 1,75 bilhão e inicialmente tinha plano de expansão da sua receita em 22% este ano. “Mas os resultados até agora já estão muito bons e é bem provável que fechemos 2018 com crescimento de 30%”, afirmou Ostrowiecki. A companhia ainda analisa a possibilidade de fazer um IPO (abertura de capital) este ano.

Com várias linhas de produtos, a Multilaser tem a área de networking em segundo lugar no seu balanço, mas além dos equipamentos para provedores também está incluída nessa categoria a venda de roteadores para o mercado doméstico. Para as operadoras, a empresa vende roteadores personalizáveis, cabos e passivos de fibra óptica. No caso da fibra, as parcerias da Multilaser são com a FiberHome e Sumec e no de passivos apenas com a FiberHome.

“Vamos atuar no mercado de provedores regionais com quatro pilares, produto e preços certos, abastecimento garantido e suporte técnico”, observou Ostrowiecki. Ele evita fazer projeções para as vendas dos equipamentos da nova marca, mas se mostra bastante otimista. “Esse é um mercado bem diferente e nós vamos ser bastante competitivos e com a grande vantagem do estoque que teremos”, completou Rafael Cortes, da área de produtos da Multilaser.

Além de seu complexo industrial em Extrema, a Multilaser conta com uma unidade fabril em Manaus, herdada com a compra da Giga Security. Ela tem 851 funcionários na matriz, 2000 em Minas Gerais e 100 no pólo de Manaus. Além disso, mantém 60 técnicos no laboratório instalado na cidade de Shenzhen, na China, onde eles respondem pela execução de processos, escolha e sugestão de alterações em produtos que serão licenciados pela companhia. O grupo comercializa vários produtos com tecnologia chinesa, como smartphones, tablets e outros.

Em Extrema, está também a unidade que produz componentes, principalmente memórias, utilizadas pela própria companhia e distribuídos para outros fornecedores, como Samsung e Motorola. Estão nos planos da empresa a ampliação da fábrica além de um projeto de automação da área de expedição, estimado em R$ 9 milhões.