Globo testa pilotos para levar plataforma de conteúdo a ISPs


A Globo está conduzindo dois pilotos, um no Nordeste e outro no Sudeste, para a distribuição de conteúdo de streaming com ISPs, A empresa ainda não fechou um modelo de negócios para essa área mas recomenda que os provedores regionais adotem uma postura mais aberta para esse tipo de acordo. Mesmo porque, como lembra Marcelo Bechara, diretor de Relações Institucionais e Regulações de Mídia do grupo, enquanto essas negociações B2B transcorrem o mercado B2C. com vendas diretas ao consumidor, está em ritmo acelerado e pode se tornar mais atrativo. 

O executivo ressaltou que como maior grupo de mídia da América Latina, a Globo passou por uma transformação nos últimos anos e hoje tem o Globopay como seu melhor produto com canais on demand e lineares, como a própria Rede Globo. Em cinco meses, ele cresceu 113 % sobre 2020 e superou todas as metas. Para isso, o Big Brother Brasil foi essencial, mas as novelas clássicas que entram na grade da plataforma também têm rendido boa audiência, além de filmes, citando como exemplo a recém entrada de alguns nomes importantes como Central do Brasil e Deus e o Diabo na Terra do Sol, shows e outras ofertas exclusivas. 

“Toda semana entramos com uma novela nova na plataforma e percebemos que a audiência é boa pois elas marcaram gerações e atrai pessoas que querem revê-las a partir de novas texturas e do conteúdo da época”, observou. 

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Ele ressaltou que a empresa tem carregamento de vários sinais em suas afiliadas e algumas delas atuam como parceira respondendo pelo CDN (Content Delivery Network) junto com o grupo. Essa é uma forma que está sendo testada com dois grandes ISPs nos testes que vem sendo realizado há dois meses. “Enxergamos como essencial o CDN e acreditamos que os provedores não podem manter uma atitude semelhante jurássica e tradicional como a que predominava na relação com as teles”, disse. 

Na sua avaliação, os ISPs precisam mergulhar na experiência do usuário, com respostas rápidas como as que são dadas nos aplicativos de conteúdo, por exemplo, sendo o facilitador para esse usuário. O importante, como todos os players ganharem dinheiro, ainda não tem sua resposta e por isso os modelos de negócios estão sendo testados. “Estamos testando billing, qualidade de entrega do conteúdo, atendimento, CDN, a questão dos dados. Queremos estabelecer um modelo, mas é preciso haver parceria para isso”, completou. 

Bechara também adverte que é preciso haver escala nesse processo, não fazendo sentido fechar acordos um por um com os ISPs. Para isso, ele sugere que os provedores criem uma espécie de marketplace que permitam compras em conjunto levando mais valor para o negócio. 

Mesmo porque para a Globo a situação está confortável nas contratações diretas pelo consumidor, no modo B2C.  A questão da escala do B2C está sendo analisada e precisa fazer sentido, segundo o executivo. “Queremos ganhar junto mas é preciso que nesse processo haja escala e parceria”, finalizou. 

O executivo participou hoje do painel “Muito mais conteúdo para os ISPs”, no Inovatic 2021 realizado pelo Telesíntese. O evento segue até amanhã. (Por Wanise Ferreira)

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