“O Brasil está vivendo em cima das nossas costas”


A pandemia do coronavírus pegou as empresas competitivas de telecomunicações no momento de grandes investimentos. No início, a dificuldade de botar o pessoal nas ruas, dificultou um pouco, mas foi superado. Porém, com a alta da inadimplência, mais de 20 projetos de redes ficaram impactados. O depoimento é do presidente da TelComp, João Moura, que participou, nesta quinta-feira, 9, de webinar promovida pela XP Investimentos, sobre os impactos da COVID-19 no setor de telecomunicações.

Ao invés de um tratamento de apoio, como foi feito com o setor de energia, governos acenam com a possibilidade de proibir corte dos contratos inadimplentes, reclama Moura. Para ele, tal posição coloca em risco “essa cadeia absolutamente virtuosa”. O executivo destaca que a crise alterou a forma como a internet é usada e muito do que acontece agora, continuará, o que irá requerer mais investimentos.

Mas Moura não vê só problemas na pandemia. Segundo ele, a necessidade de conectar mais de 16 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS) levará a internet para locais ainda não atendidos pelo serviço. “O governo cria a demanda e puxa a oferta, fórmula que deve ser sempre usada nas ações de massificação da banda larga”, afirmou.

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Para o CEO da Megatelecom, Carlos Eduardo Sedeh, a primeira providência da empresa, que vende capacidade para corporações e ISPs, foi dobrar a quantidade de banda dos clientes, já que o consumo de dados cresceu quase 70%. Ele afirma que a empresa ainda não sentiu o choque da demanda, o que prova sua resiliência. Mas a preocupação agora é com a gestão diária do caixa, visando minimizar efeitos da inadimplência.

Segundo Sedeh, ao contrário com que aconteceu com outros setores, não houve nenhum movimento dos governos em reduzir impostos, nem para atender os menos favorecidos. Ele acredita que as empresas de rede terão que continuar investindo na pós-crise, uma vez que o mercado mudou.

O CEO da Vero, Fabiano Ferreira, afirmou que a pandemia apressou os investimentos programados para 2020, com a alta do consumo de internet, seja em backbone ou na digitalização da companhia. Ele também defende a gestão diária do caixa, além da adoção de medidas para mitigar a inadimplência, com concessões e negociações com o cliente.

Ferreira defende uma política de bom senso por parte das autoridades, para evitar que o setor, que nunca deixou de investir, continue aplicando recursos na ampliação das redes. Para ele, no pós-crise, a previsão de que haja uma maior consolidação no mercado, admitindo que a Vero está negociando com pequenos provedores para futuras incorporações. “A própria Vero é resultado da junção de oito ISPs, capitalizada por um fundo de investimentos”, disse.

A conselheira da Abrint, Cristina Sanches, por sua vez, acredita que as redes dos ISPs vão aguentar o aumento do volume de dados provocado pela pandemia e que a expansão do serviço continuará a acontecer, rumo a parte das1,5 mil cidades sem atendimento. “O impacto econômico da crise vai existir, o que a gente não quer que se reverta em desconexão e fechamento de empresas”, disse.

Grandes

As dificuldades trazidas às telecomunicações pela pandemia não são diferentes nas grandes operadoras. De acordo com VP de Relações Institucionais da Claro, Fábio Andrade, a empresa teve que ser ágil para oferecer para as residências as mesmas condições técnicas prestadas às corporações. Para ele, o resultado positivo de todos os problemas foi a união das teles. “O Brasil está vivendo em cima das nossas costas”, ressaltou

O presidente executivo do SindiTelebrasil, Marcos Ferrari, reivindica maior apoio do governo ao setor, que não visão dele, é nuclear da economia. Um dos pontos defendidos foi a  menor intervenção, para que as empresas trabalhem com mais fluidez. “É preciso liberdade para atuar, de forma a nos posicionarmos de maneira competitiva”, afirmou.

 

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