Para atender com efetividade o campo os ISPs precisam ter acesso barato a espectro, afirmou o conselheiro da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Basílio Perez. Uma possibilidade é utilizar as frequências já compradas, mas que estão subutilizadas, ou o White Space, que está em estudo na Anatel e, ainda, a faixa que será destinada ao WiFi 6.E, no futuro.

Segundo Perez, que participou nessa quarta-feira, 16, do Agrotic 2020, a faixa destinada ao WiFi 6.E, com banda de 1.200 MHz não licenciada, está prevista para atender apenas em indoor, mas no futuro pode ter uma parte destinada a serviços outdoor, como acontece nos Estados Unidos, para beneficiar os agricultores.

“O problema é que metade dessa faixa está sendo reivindicada pelas grandes operadoras e fabricantes para reserva ao 5G e se isso acontecer vai atrasar a chegada da internet no campo”, ressaltou Perez. E mais, afirma que se o Brasil fizer essa separação, criará uma jabuticaba, já que os demais países das Américas devem destinar a faixa integralmente para o WiFi 6E.

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Com o WiFi 6E, o campo pode ser atendido com alta velocidade e baixa latência. Perez disse que ainda não está reivindicando o uso outdoor da faixa, mas sim a destinação integra para a tecnologia que é revolucionária.

No caso do White Space, Perez defende que seja criada uma garantia para que não seja tomada pela emissora detentora da faixa. O mesmo é esperado com a regulamentação do mercado secundário de espectro, que está sendo tratado na revisão do regulamento do uso de espectro.

Segundo o conselheiro da Abrint, os ISPs tiveram uma experiência negativa no passado no uso secundário de espectro. No final, o titular da frequência acabou com a parceria e ainda levou os clientes.

Basílio Perez foi um dos palestrantes da live do Agrotic 2020, que debateu a participação dos ISPs na internet para o agronegócio. O evento é uma realização do Tele.Síntese, em parceria com a EsalqTec, e que acontece até sexta-feira, 18.