Para consultoria, ISPs devem formar grupos para participar do leilão do 5G


As condições para implantação da tecnologia 5G já estão a caminho, com a destinação pela Anatel da faixa de 3,5 GHz, do anúncio de elaboração do edital de licitação e com a marcação do leilão para o primeiro trimestre de 2020. As grandes operadoras estudam e montam suas estratégias para adquirir o espectro, mas haverá espaço para os provedores regionais nessa nova onda tecnológica?

Na opinião do diretor de tecnologia da empresa de consultoria IPv7, professor Fernando César Morellato, é recomendada a participação do ISPs nesse novo mercado. Para isso, sugere, que provedores regionais se associem para ter chances de abocanhar parte do espectro que será licitado em pé de igualdade com as grandes teles. “É provável que no Brasil se formem grupos de grandes corporações envolvendo elevados valores”, afirma.

Segundo o professor, diferentes players do mercado de telecomunicações debatem e ainda não sabem exatamente como será e o que a tecnologia 5G provocará, especialmente no Brasil. Porém, segundo a GSMA (associação global de operadoras móveis), a nova tecnologia será inicialmente usada na América Latina para a oferta de banda larga fixa, já que essa tecnologia deve ficar mais barata do que a construção de redes de fibra óptica até as residências

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Para Morellato, o país tende a seguir o modelo europeu e asiático. Nele o 5G funcionará como “hotspot” nos grandes centros. Depois irá se expandir para as médias cidades. “Mas como as regras ainda não foram claramente definidas por isso é um tanto prematuro falar de modelo de negócios”, afirma.

De acordo com informações inicialmente divulgadas pela Anatel, o leilão da faixa de 3,5 GHz, que tem uma fatia de 200 MHz, poderá ser feito em dois blocos de 100 MHz cada. “Isso possibilitaria gerar uma menor competição entre as quatro maiores operadoras (TIM, Claro, Vivo e Oi) ou então entre grupos formados por provedores”, afirma  diretor da IPv7. Mas entende que a divisão em quatro blocos de 50 MHz, apesar de incentivar a competição, limitaria a o potencial do 5G.

Posteriormente, a Anatel anunciou que conseguiu limpar mais um pedaço de espectro na faixa de 3,5 GHz (entre as frequências de 3.300MHz e 3.400MHz) para acoplar  ao espectro  já disponível para a nova tecnologia.Com essa iniciativa, a Anatel conseguiu somar 300 MHz para a 5G neste espectro. No mesmo dia em que anunciou esta medida, anunciou também que iria vender no mesmo leilão programado para março de 2020, a frequência milimétrica de 26 GHz.

Preços

Na opinião de Morellato, a alegação que sistemas 5G serão mais baratos que sistemas com redes ópticas é válida, entretanto, instalações de fibras ópticas também vão sofrer processos de evolução, incluindo em questões de banda e, como as redes ópticas já estarão instaladas, poderão ser reaproveitadas. “Assim as novas gerações vindouras do sistema 5G serão uma alternativa para a Internet móvel, mas também para sistemas fixos. Porém, obviamente deverá existir uma infraestrutura óptica que deverá suprir esses sistemas de rádio”, ressalta.

Nos EUA o sistema 5G chega com preço alto e franquia de 15 GB. “Assim acreditamos que no Brasil a questão se repita de modo ‘piorado’, ou seja, menor franquia (que não existirá em sistemas de redes ópticas fixas) o que desestimularia a adoção de sistemas móveis 5G para internet fixa, além de preços iniciais salgados”, afirma.

Mas prevê que a nova geração de redes PON possibilitará um upgrade de velocidade (banda), número de usuários e custo do sistema por usuários. “E contando que as redes ópticas de fibra já se encontram em operação, poderão ser remanejadas para que estes novos sistemas atuem como evolução dos sistemas antigos”, conclui.

 

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