Os provedores de acesso à internet e serviços de telecomunicações que atuam no Norte do país, mais especificamente na região transamazônica acima de Marabá, no Pará, estão passando por momentos de muita dificuldade, dizem eles. Só têm um único fornecedor direto ou indireto de capacidade de rede – a Eletronorte, do grupo Eletrobras – e a empresa informa que não pode atender seus pedidos de upgrade de capacidade de link ou de abertura de novos links para novas localidades.

“Estamos congelados”, desabafa José Selestino Trevisan Jr, dono do provedor Mundo Digital, com sede em Uruará, no Pará. Como não recebia resposta a seus pleitos de ampliar sua capacidade de 1 Gbps em pelo menos mais 500 Mbps e abrir um link para atender Altamira, ele se deslocou até Brasília, em fevereiro, para uma reunião com os técnicos da Superintendência de Telecomunicações da Eletrobras Eletronorte. E ouviu que não há solução a curto prazo.

Só após uma mudança na estrutura física do data center de Brasília onde estão os roteadores das empresas-clientes da Eletronorte, o que deve acontecer até julho, é que ela poderia fazer a expansão das rotas entre Altamira e Tucuruí, no Pará, e Imperatriz, no Maranhão, onde há gargalos, segundo relataram os técnicos. De acordo com Katia Esteves, gerente da área de negócios da Superintendência de Telecomunicações, a expansão das rotas, em mais 40 Gigas, que deveria ter sido feita no segundo semestre de 2016, atrasou em função de problemas operacionais, como a desmobilização de 400 terceirizados.

Além de restrições técnicas para o atendimento de provedores regionais de algumas áreas do Pará, desde o dia 17 de fevereiro, por orientação da diretoria de Planejamento e Engenharia da Eletrobras Eletronorte, a área comercial da Superintendência de Telecomunicações não pode atender a solicitações de novos clientes, nem a upgrades de clientes atuais. “Essa foi a orientação que recebemos. Todos os pedidos de upgrade de clientes atuais têm que ser encaminhados para a diretoria”, conta Kátia.

Pressão política

Os provedores da região Norte têm pressa e dizem que não podem esperar, de braços cruzados, até que a Eletronorte decida se mexer. Trevisan não está sozinho em sua demanda. A ele fazem coro Mark Dalmon, da Tel7 Telecom, de Breu Branco; Lucivaldo Maia, da Toppnet Telecom, de Altamira; e Alan Carneiro, de Carajasnet, de Parauapebas, todos provedores do Pará. Entre muitos outros responsáveis por levar a banda larga às residências e empresas da região.

Como não conseguiram sensibilizar a diretoria da Eletrobras Eletronorte, os provedores regionais começaram a traçar uma estratégia para levar o problema às autoridades e políticos do Pará. E a exemplo do que ocorreu em 2015 pretendem organizar, na Assembleia Legislativa, em Belém, uma audiência pública sobre a oferta de banda larga no estado.