Da esquerda para a direita: Gomez, da OndaNet,; Cortez, da Cortez Online, e Medeiros,da ToolsNet

Em meados do ano que vem, 16 provedores regionais de três estados do Nordeste – Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte –  pretendem lançar no mercado a marca única Milha Telecom, sob a qual vão comercializar seus produtos no mercado. Até chegar lá, percorreram um longo caminho, que começou com uma associação para discutirem problemas e estratégias comuns.

Se no passado o objetivo era somar forças e ter uma espaço comum de discussão, hoje é muito mais do que isso. Querem estar preparados para enfrentar o novo ciclo de fusões e consolidações de provedores regionais que se avizinha.

Hoje, as empresas atendem 141 cidades nesses três estados, somando 87 mil clientes residenciais. Metade já tem 75% a 80% de rede em fibra; 25% têm rede mista em fibra e rádio; e 25% ainda operam apenas em rádio. O objetivo de todos é migrar para a fibra, para ganhar qualidade e velocidade, mas cada qual tem seu tempo.

Desde que construíram a associação, que se chama Associação Nacional de Provedores de Internet (Anpi) – Milha Telecom é o nome comercial –, em 2006, as empresas passaram por um longo aprendizado. Hoje, contam com um sistema de software de gestão único, construído a partir de suas demandas; têm o mesmo padrão de comunicação de visual, desenvolvido por uma agência comum de propaganda; o mesmo padrão de rede e esquema comum de treinamento dos funcionários.

A gestão da associação é feita por uma diretoria, eleita a cada dois anos e o presidente não pode ser reconduzido. “Queremos renovação sempre, nada de cargo vitalício”, diz Cleber Medeiros, diretor executivo da ToolsNet, de Lajedo (PE) e atual presidente da associação. Duas comissões são muito importantes, ambas compostas por três membros: a de compras, encarregada das compras coletivas, e a de ética.

A primeira porque faz o levantamento das demandas dos associados, realiza as cotações junto aos fornecedores e escolhe as melhores ofertas. Há compras programadas mensalmente, como as que dependem das ativações de terminais de banda larga pelos clientes, e compras trimestrais e semestrais. A segunda porque obriga os associados a cumprir com os compromissos assumidos com a comissão de compras.

“O que está em jogo é a nossa credibilidade. As compras são conjuntas, mas a cobrança é por sócio. Se um sócio não paga, o fornecedor nos aciona. E nós acionamos o sócio. Na primeira vez, ele tem um prazo para pagar. Se não cumpre nem o primeiro, nem o segundo prazo, é suspenso da associação. Está no estatuto. Todo mundo cumpre”, relata Alcimar Cortez, diretor geral da Cortez Online, de São José do Mipibu (RN).

Segundo Leonardo Gomez, da OndaNet, que opera na Paraíba e no Rio Grande do Norte, os princípios éticos do manual têm que ser estritamente cumpridos pelos sócios. “Quem quebra regra, como entrar em território do outro ou roubar profissional de outra empresa, é punido”, diz ele. “Entre nós, não tem jeitinho. Quem foge da regra, tem que recuar ou sair da associação.”

Nova fase

A nova etapa da associação até que todas as empresas possam assumir a marca Milha Telecom passa, agora, pela contratação de uma consultoria que vai definir o modelo em que vão operar. De acordo com Medeiros, a ideia é que seja montado um modelo de franquia, com a constituição de uma empresa-mãe e com todas as demais operando no sistema de franquia, assumindo todas as responsabilidades pela operação e por observar todos os processos.

“Já nos preparamos bastante para isso, pois desenvolvemos processos comuns em várias áreas como administrativa, financeira, de operação, de marketing, de vendas”, relata Cortez. Ele acredita que, como umas empresas estão mais maduras do que outras, o movimento pode começar com as dez empresas mais preparadas e as restantes irão entrar na franquia à medida que forem se profissionalizando.

Uma das coisas interessantes na associação, relatada pelos sócios, é a relação de parceria e solidariedade entre eles. Em março de 2015, o CPD da Cortez Online foi derrubado por um raio que avançou pela rede elétrica. Imediatamente, os parceiros da associação se mobilizaram, cada um enviando uma parte do que era necessário. “Em oito horas, a operação tinha sido restabelecida”, conta o diretor geral da empresa, lembrando que vieram profissionais até de Monteiro, Paraíba, a 400 quilômetros de distância. “Todo mundo se ajuda”, diz Cortez, para resumir o espírito da associação.