Em dez anos, a atividade de Serviços de informação e comunicação perdeu importância relativa no total dos serviços, caindo da primeira para a terceira posição na participação da receita líquida, passando de 29,8%, em 2008, para 22,5%, em 2017. É o que aponta a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) referente a 2017, divulgada esta semana pelo IBGE.

Contribuiu para isso a queda de relevância da atividade de telecomunicações, cuja participação na receita caiu de 18,1% para 10,6%, em contrapartida ao avanço de 1,8 p.p. na atividade de Tecnologia de informação entre 2008 e 2017. De acordo com o IBGE, isso pode ser indicativo de enfraquecimento de um segmento primordial para a competitividade da economia como um todo.

Já o segmento de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que ocupava a segunda colocação há dez anos, passou a concentrar a maior parcela da receita operacional líquida (29,5%) em 2017, um aumento de 0,6 ponto percentual (p.p.), puxado pelo crescimento dos serviços ligados ao transporte rodoviário de cargas. A segunda maior receita líquida foi dos Serviços profissionais, administrativos e complementares (26,2%). Os demais segmentos mantiveram as posições do ranking na comparação com 2008.

No setor de serviços, a concentração de mercado pode indicar aspectos sobre a competitividade em mercados, formação de arranjos produtivos e definir o posicionamento estratégico das empresas atuantes no setor. Nesse sentido, a razão de concentração de ordem oito, que representa a participação das oito maiores empresas na receita operacional líquida, revela a composição deste indicador para os sete segmentos e os desdobramentos das 34 atividades da PAS.

De forma geral, o setor de serviços é bastante desconcentrado, devido a fatores como a ausência de grandes barreiras à entrada e saída do mercado, a predominância de empresas pequenas e as recentes transformações tecnológicas, lideradas pelas TICs, que vêm atingindo o setor e que têm sido capazes de alterar o poder competitivo consolidado de empresas tradicionais em favor de novas empresas, sobretudo aquelas de base tecnológica.

A maior concentração em 2017 foi verificada no segmento de Serviços de informação e comunicação, onde as oito maiores empresas responderam por 37,2% do faturamento do setor. Todavia, este segmento também apresentou o maior movimento de desconcentração produtiva em 10 anos, registrando uma variação de 6,9 p.p. neste indicador. Este resultado é, em parte, fruto do aumento em 47,5% no número de empresas, o que permitiu a entrada de empresas mais competitivas, produzindo realocação produtiva e modificando o conjunto de empresas sobre o qual o indicador está sendo calculado.

O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares registrou a maior participação no emprego, sendo responsável por 39,9% do pessoal ocupado, seguido dos segmentos de serviços prestados principalmente às famílias (22,6%), de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (20,4%) e de serviços de informação e comunicação (8%).

Números gerais

O setor de serviços tinha, em 2017, 1,307 milhão de empresas, que empregavam 12,302 milhões de pessoas e pagavam, em média, 2,2 salários mínimos. Houve redução nos três indicadores na comparação com 2016, quando totalizavam 1,330 milhão de empresas (-1,7%), com 12,345 milhões de pessoas ocupadas (-0,3%), pagando 2,3 salários mínimos. No período, foram fechadas 23,1 mil empresas, especialmente no setor de Serviços prestados principalmente às famílias e Transportes e correio (26,9 mil empresas). Os números também caíram em relação a 2014, época em que o setor de serviços contava com 1,321 milhão de empresas (-1,1%), 13,0 milhões de trabalhadores (-5,3%) com remuneração média de 2,4 salários mínimos.