Retorno de capital é o novo desafio dos ISPs consolidados


O aumento do número de consolidações e a busca pelo mercado de ações no segmento de provedores regionais garantem mais recursos para que essas empresas invistam em qualidade e diversificação dos serviços, mas trazem uma obrigação que necessitará de uma mudança significativa. A busca por aumento da remuneração dos serviços passa a ser uma exigência já que agora essas empresas consolidadas ou que passaram por IPO precisam garantir rendimento para os fundos e acionistas. 

A avaliação é do CEO do grupo Conexão, Gilbert Minionis, que considera o valor cobrado por planos de conectividade de alta velocidade no Brasil é o menor do mundo. “Nem na Venezuela, onde a situação econômica é caótica, um plano de 100 Mbps custa menos de US$ 10”, afirma. 

O grupo Conexão, por exemplo, teve seu controle comprado este mês pelo fundo norte-americano Grain Management, focado no setor de telecomunicações, diferente portanto do Acon Investments, que tinha interesse em outras áreas. “Nós teremos bolsos mais profundos para investimentos, mas teremos que mostrar resultados, rendimentos para os acionistas”, afirma Minionis, que participou de webinar promovido pela revista RTI. 

O executivo afirmou que o Grain Management também investe em frequências, TI e em torres, o que abre novas possibilidades para o grupo Conexão. O foco da empresa continua o mesmo, oferecer um serviço de qualidade em mais áreas, mais negócios, convergência de tecnologias. “É um mundo emocionante e cheio de oportunidades e esperamos triplicar de tamanho em cinco anos”, disse. 

Retorno de capital

Para Minionis, o principal desafio é mudar a percepção do cliente, que vê o serviço como não sendo ruim, para razoavelmente bom. “Parece uma mudança fácil, mas na prática dependerá de muito investimentos não só em velocidades oferecidas e, no futuro, será na latência”, disse. Ele acredita que o WiFi 6 vai contribuir para a melhoria da percepção de qualidade pelo cliente em casa, porque tem mais canais, mais banda. Sem serviço de qualidade, acaba aumentando o churn, que traz prejuízos para a companhia, observa. 

O desafio seguinte, segundo Minionis, é buscar o retorno do capital investido. Vender conexões de 100, 200, 300 Mbps por até US$ 12, após a retirada do ICMS é resultado da falta de profissionalização de um mercado que tem milhares de concorrentes, enquanto em outros países não passam de dezenas, centenas no máximo. “Quando se coloca a obrigação de retorno de capital na equação você fica com um furo, que só pode ser recuperado se houver recomposição de preço do serviço”, disse. 

“A democratização do capital está avançando, mas as obrigações de rendimento vêm junto e a dinâmica de investimento e retorno está trocando rapidamente e a concorrência será entre as empresas que investirem melhor e isso vai profissionalizar o setor, o que é bom para o Brasil”, completou o CEO do grupo Conexão. 

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